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A República da safadeza

Denis Lerrer Rosenfield, Folha de S. Paulo , 16/06/05

Muito se tem discutido, e justamente, sobre a forma do presidencialismo brasileiro, cuja estrutura híbrida dificultaria o exercício de governar, pela ausência de uma maioria parlamentar correspondente. O presidente estaria condenado a fazer coligações que desvirtuariam os seus propósitos originais. Com o problema sendo estrutural, as derrapagens éticas seriam conseqüências. Embora essa avaliação seja correta, apontando para um fenômeno que exigiria determinadas medidas -constantes numa eventual reforma política-, o problema suscitado pelas declarações do deputado Roberto Jefferson sinaliza para uma outra questão, que estaria igualmente presente se o regime político fosse outro.
Parto da premissa de que as declarações de Roberto Jefferson são, em linhas gerais, verdadeiras. Primeiro, porque o deputado era até então tido por interlocutor privilegiado do atual governo. Ministros chegaram a ir à sua casa para evitar que contasse os bastidores das negociações governamentais e partidárias. Havia e há certamente um receio desse interlocutor privilegiado. Não se trata de uma pessoa qualquer.

Segundo, o próprio presidente…

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