Os blogs estão incomodando. Só isso.
Blogueiros do Brasil, uni-vos! Nelson Breve, da Carta Maior, agência de notícias e análises próxima do petismo, investe contra o blog do Noblat e o ex-blog de César Maia (e, de raspão, contra o de Fernando Rodrigues no UOL). “A mistificação dos blogs”, sentencia, “está envenenando o noticiário jornalístico com a propagação de comentários que são tratados como notícia verdadeira sem passarem pelos crivos de checagem das informações”. O bravo analista segue em frente: “Tal como as colunas de notas e fofocas, os blogs de jornalistas têm demonstrado mais afinidade com versões do que com fatos, transformando pautas em notícias publicadas. Novidade no mundo da comunicação, esse tipo de canal noticioso ainda não consolidou um compromisso com o conjunto de regras éticas, morais e jurídicas que regulam o jornalismo. Portanto, está solto para espalhar muito joio no meio do trigo. Ganharam em poucos meses e até dias a credibilidade que outros meios levaram décadas para consolidar. Mas sem a mesma responsabilidade ética, moral e jurídica que traça os limites da liberdade de informação no Estado Democrático.” O negrito é meu e dá a pista da indignação… Nelson Breve poderia ter citado também os blogs petistas que espalharam a fraude da “lista de Furnas”, por exemplo. Mas não citou, porque a isenção crítica tem limites, ora bolas.
Fofoca de “blogueiros” vira notícia no jornalismo virtual
Nelson Breve, Agência Carta Maior (18/04/06)
A mistificação é que não tem limites. Nelson Breve revolta-se com os blogs por supostamente publicarem “comentários” como se fossem notícia verdadeira “sem passarem pelos crivos de checagem das informações.” Ora, ora, e o que dizer de “análises” que propagam farsas depois que foram cabalmente desmascaradas? Foi exatamente o que fez, por exemplo, o articulista Flávio Aguiar, colega de Nelson Breve na Agência Carta Maior. No dia 6 de abril, o colunista Aguiar assopra lama ao indagar: “E a lista de Furnas, e o caminho de investigação que ela abre?”
As tentações do crime
Flávio Aguiar, Agência Carta Maior (06/04/06)
Ocorre que, quase três semanas antes do irado artigo de Flávio Aguiar, toda a mídia já informara que a perícia da Polícia Federal havia mostrado claros indícios de montagem na tal “lista de Furnas.” Do Correio Braziliense de 19 de março:
Perícia feita pela Policia Federal afirma haver indícios de montagem, alterações ou implantes na última página do documento divulgado como sendo a lista de Furnas. Agora, a polícia ameaça indiciar o lobista Nilton Monteiro — responsável pela lista — por fraude e estelionato. O suposto documento é um conjunto de cinco folhas de papel sem autenticação que aponta a existência de caixa 2. Ele relaciona 156 políticos de 12 partidos que teriam recebido dinheiro por meio da estatal federal de energia. O laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) desqualifica a lista de políticos que teriam recebido recursos do suposto caixa 2 de Furnas Centrais Elétricas. A perícia detectou também a existência de problemas de alinhamento entre as linhas de texto e entre essas linhas e a assinatura de Dimas. (...) O laudo registra a possibilidade de que a assinatura do ex-diretor tenha sido transplantada de outro documento para a lista investigada pela Polícia Federal. (...)Despertou a atenção dos peritos o fato de a quinta página ter sido impressa em tecnologia diferente da usada para reproduzir as demais. Na lista de cinco páginas, as primeiras quatro foram copiadas de um suposto original que estaria nas mãos de Nilton Monteiro. A quinta página foi primeiro digitalizada e depois impressa em jato de tinta.
Na Veja do dia 25 de março, a farsa da “lista de Furnas” era mostrada em toda a sua extensão:
Lista de Furnas, uma falsificação grosseira
e-agora (25/03/06)
Mesmo assim, no dia 6 de abril, o colunista da Carta Maior continuava tratando a “lista de Furnas” como verdade que merecia mais investigação. Mas para o colega dele Nelson Breve são os blogs (só os não-petistas, supõe-se) que não consolidaram “um compromisso com o conjunto de regras éticas, morais e jurídicas que regulam o jornalismo.” Deve ser a mesma ética seletiva do PT e da organização criminosa (ou quadrilha, se preferirem…) que produziu o mensalão e quebrou o sigilo bancário de um simples caseiro.
Uma pena é que Nelson de Sá, colunista de mídia da Folha e um dos primeiros a chamar a atenção para o fenômeno dos blogs jornalísticos, tenha ecoado em sua coluna de hoje a mesma toada anti-blogueiros. Não mencionou o ataque de Nelson Breve e da Carta Maior, anteontem. Preferiu garimpar “uma nova pesquisa de um instituto britânico”. Na mesma linha do artigo de Breve: a mídia tradicional dá espaço demais aos blogs.
De Nelson de Sá, na Folha de S. Paulo:
Uma minoria
Em destaque na home page do “Guardian”, ontem:
- Os blogueiros permanecem “em uma minoria”.
Não apenas são poucos, como são lidos por poucos. Do início da reportagem:
- A cobertura de mídia para os blogs levou a um maior conhecimento do fenômeno entre os internautas, mas não se traduziu em mais gente lendo regularmente blogs.
É o que diz “uma nova pesquisa” de um instituto britânico, cujo diretor carregou na crítica:
- A cobertura para os blogs é desproporcional, super-hype.Que o diga o prefeito do Rio, Cesar Maia, por aqui.
O pefelista vem conseguindo, em seu “ex-blog” divulgado por outros blogs e pela cobertura tradicional, manter-se distante de responsabilidade sobre o que escreve -e ao mesmo tempo manter Lula, o candidato e sua família, nas cordas.
Ontem, com nova mensagem, fez a festa da blogosfera brasiliense, que ecoou com elogios e com críticas:
- Oposição no Brasil, hoje, quem faz é apenas o prefeito do Rio… É o nosso Bin Laden da internet, o maior terroristanet dos blogs… O que mais uma cidade espera de seu prefeito?
No “ex-blog” de ontem, novamente em linguagem distorcida, ele abriu um pouco mais o sigilo de Paulo Okamotto e jogou o genro de Lula na arena.É pouco ou nada confiável, mas erra quem faz pouco das correntes blogueiras de Cesar Maia e seus colegas, por mais que eles se mantenham “em uma minoria”.
Outra reportagem destacada pelo mesmo “Guardian”, mas esta anteontem, trazia como enunciado “Ignore os blogueiros por sua própria conta e risco, dizem pesquisadores”.
A pesquisa, realizada na área de publicidade, registrou que, sim, “a maior parte da influência dos blogs é sobre a própria mídia”. Ou ainda, “se algo on-line se torna notícia na imprensa, então importa”.O problema é que, com ou sem imprensa, a “influência desproporcionalmente alta” dos blogs não pode ser ignorada por ninguém mais -como atestam, segundo o “Guardian”, a Dell, o McDonald’s etc.
Aliás, de Cesar Maia para a manchete do “SBT Brasil”:
- Senador consegue assinaturas para CPI da família Lula.





O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: 
A imprensa séria, de um mode geral, encontrou nos blogs uma forma de estravasar com a auto-censura/controle imposta pelo governo de mentira, via verbas publicitárias. Daí que as verdadeiras MAZELAS, QUE SE SOMA A INCOPETÊNCIA E CORRUPÇÃO DE TODO TIPO E GOSTO, que este DESGOVERNO construiu ao longo destes 3 anos no “puder” ainda não ter caido no “gosto” da população.
www.foramulla.blogspot.com
“...ainda não consolidou um compromisso com o conjunto de regras éticas, morais e jurídicas que regulam o jornalismo. ....”
Quá!Quá!Quá!Quá!Quá!Quá!Quá!
Putz! Quanto cinismo!
Ana
Democracia faz um bem!!! Democracia incomoda!!!
E olha que a internet ainda nem arranhou a superfície.
Deveriamos fazer um monumento em praça pública em homenagem ao SERGIO MOTTA. Lembra da briga dele com a antiga estatal Embratel?
A história se repete. Agora aqueles que se sentem prejudicados vão adotar a mesma posição conservadora da Igreja Católica quando Guttemberg descobriu o processo que possibilitou acabar com seu monopólio da informação(?).
Guilherme
http://alckimistas.blogspot.com/
A mulher de Nelson Breve não é, por acaso, aquela assessora de Aldo Rebelo, ex- ministro da coordenação política do lula e atual presidente da camara dos deputados??????????
Ah, demorou. E a condenação só poderia vir mesmo de alguém da Carta Capital, hoje um legítimo representante do jornalismo chapa-branca. É a era lulista. Bons vinhos, tio Mino!
Abs., Tambosi
http://otambosi.blogspot.com
ôps, errei. É a Carta Maior, não a Capital. Dessa o tio Mino escapou. A Carta Maior é o nosso jornal Granma.
Tambosi, a confusão é compreensível. Como diz a bela canção cubana, “no es lo mismo pero es igual…”
É, a coisa incomoda mesmo. Principalmente depois de o César Maia ter desmentido o Palocci naquela “brilhante” entrevista coletiva, com documentos que não eram montagem e em tempo real.
Dois comentários:
1) E demorou meses para Palocci cair, não por vontade das oposições, mas por uma trapalhada sem tamanho que surgiu primeiro, ora vejam, num site de uma revista semanal, não é?
2) O clima de paranóia está chegando aos graus compatíveis com o esperado da esquerda.
Este tópico tá uma delícia (gargalhadas)! Esperemos que a carreira do senhor Breve faça jus ao seu sobrenome.
LIBERDADE ou MORTE !!!!
“Informantes”, hahahahahaha! são estão “institucionalizando” a coisa…os petralhas do Orkut já obram faz tempo!
Gente de baixo nível, viu? rasyeiros, mentirosos, agressivos e mal-educados. Alguns escapam da minha generalização mas são minoria que confirma a regra.
Comunistas, argn!!!
Ah como é bom ver o barulho da velha esquerda ao descobrir que a estratégia gramsciana de controlar os meios de comunicação está sendo solapada pela Internet.
Prezada Ana Maria e leitores do e-agora,
para qualificar este debate, reproduzo o trecho final de meu artigo sobre a mistificação dos blogs:
“A internet é uma mídia democrática e os blogs são canais de comunicação interessantes para disseminar informações e opiniões. Mas os jornalistas precisam ter mais responsabilidade ao lidar com tais informações. Sem rigor jornalístico, podem se transformar em instrumentos da disputa política, minando a credibilidade dos veículos de comunicação e de seus jornalistas. Em uma disputa política acirrada como a que se avizinha é preciso redobrar a vigilância”.
A indignação que demonstrei no artigo, que pode ser lido integralmente em http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=10642 , não é com os blogs. É com os blogs travestidos de jornalismo. Faz parte da guerra política a disseminação de informações que ajudam aliados com munição para atacar o inimigo. Mas a obrigação do jornalista é checar as informações para não ser usado conforme as conveniências das partes envolvidas. Todos sabem que na guerra a primeira vítima é a verdade. (continua)
(continuação)
Fico satisfeito por saber que o que escrevo na Carta Maior está sendo lido por pessoas qualificadas como as que administram o e-agora. E gostaria que vocês pedissem informações a meu respeito para os parlamentares e assessores do PSDB, especialmente na Câmara, onde fui setorista por quase cinco anos pela Agência Estado. Leiam o que escrevo e podem discordar, mas tenho certeza que não vão encontrar marcas de jornalismo serviçal. Não havia quando trabalhei para órgãos liberais ou de direita, como não há em um veículo de esquerda. Só escrevo o que apuro e o que acredito. Podem se informa sobre meu caráter consultando as pessoas que trabalharam comigo e os jornalistas que conviveram comigo na cobertura diária. Por isso, minha passagem pelo jornalismo não é breve. Estou na profissão há 12 anos, sendo 10 em Brasília. (continua)
(continuação)
Minha mulher trabalha com o presidente da Câmara dos Deputados, sim. É uma das assessoras de imprensa mais elogiadas pelos jornalistas que cobrem política, pelo profissionalismo com que trata a todos. Nem ela nem eu temos vínculos com qualquer partido político. Somos profissionais independentes. No ano passado, trabalhei com o ex-ministro José Dirceu durante os meses em que passou pelo processo de cassação. Foi um trabalho elogiado por todos os jornalistas que sabem o quanto é importante ter informação correta, confiável e em tempo de ser aproveitada em uma edição de jornal, telejornal, radiojornal ou revista. Antes, fui chefe da assessoria de imprensa da Confederação Nacional da Indústria.
Portanto, continuem lendo o que escrevo, informem-se sobre a minha vida e me tratem com mais respeito. Obrigado.
Nelson,
puxa vida, estou comovido.
Caro Nelson,
obrigada por sua mensagem. Você deve ter visto que a Carta Maior é um dos links indicados pelo e-agora. Por mim, na verdade. Se você reler o que escrevi, perceberá que me limitei a rebater suas acusações – muito graves e muito injustas, na minha opinião. Não fiz alusão à sua vida profissional pregressa. Nem poderia fazê-lo, porque não o conheço. Sou sua leitora, apenas. Se o conhecesse, tampouco usaria seu currículo. Não acho que esse tipo de informação seja um argumento válido. Discordo frontalmente dos seus critérios e do seu julgamento sobre a ética nos blogs jornalísticos – ou “travestidos de jornalismo”, segundo você. Mostrei o caráter seletivo deles: o que vale para alguns não vale para outros. Não vou pedir informações sobre você, imagine! Não preciso conhecer a vida de quem escreve para avaliar as idéias que expõe. Suponho que seu pedido de respeito não foi dirigido a mim, a menos que você entenda que divergir é desrespeitar. Os jornalistas blogueiros que você atacou tão duramente é que talvez tenham se sentido desrespeitados.
Ana Maria, tenho lido com tanta aprovação os seus textos que, se você não fosse xará daquele porre da minha ex-esposa, eu estaria apaixonado por você. Como sempre, achei positivo seu recado acima para o Breve. Mas achei positiva também a presença dele no nosso debate, como vc aliás deixa transparecer, e acho que deve lhe ser proporcionado clima para tanto. Ele disse que reprova blogueiros caluniadores, não blogueiros em geral. Se pudesse, perguntaria(como leigo; não sou jornalista nem comunicólogo): informação anônima ou sem fonte citada é, por si só, calúnia? Pode-se distinguir a calúnia por ele reprovada das notícias iniciadas por “Circulam rumores em Brasilia…”? O joio e o trigo brogêros em plena promiscuidade distinguem-se qualitativamente dos antigos debates na praça da sé? Não podem ser vistos como como um dinamismo novo dado pela interação comunicador-comunicando? E, finalmente, os leitores que acorrem aos brogues necessitam de tutela para discernir joio e trigo? ora, aos 62 anos pela primeira vez na vida penso que como cidadão informado dei um salto qualitativo ao descobrir (tardiamente) esse espaço repleto de galicismos e densidade.
Ok, os blogs são minoria, e apenas uma minoria os lê. Então por que se preocupar? Tudo que é escrito não retrata a realidade? Ok, então, por que estão fazendo de tudo para censurá-los?
Uma vez que os blogs começaram a mudar certos conceitos, abrindo espaço para que as pessoas manifestem suas opiniões, tornou-se um empecílio para o Estado autoritário que plabejam nas sombras. Cansei de avisar lá no blog do Noblat e volto a fazê-lo aqui. Elles pretendem dar o golpe. Toda ditadura começa assim, devagar, sem que se perceba. Em breve estaremos na idade de pedra lascada. Tudo será proibido em nome de uma social falso. De uma verdade ‘‘politicamente correta’‘, de direitos de bandidos ampliados e de cidadãos vigiados por serem contra o ‘‘regime’‘. Olho vivo pessoal, esta gente está tentando isso a 40 anos.
Leiam o relato no portal www.ternuma.com.br e vejam que os MSTs tem dinheiro sobrando. Estão tomando, ameaçando, destruindo propriedades e as ‘‘autoridades’’ nada fazem, ao contrário, inflam estes ‘‘movimentos sociais’’ com o dinheiro de nossos impostos. Farcs os treinando. Depois não digam que não avisei.
Ólh’eu aí de novo!
É gente, os blogs incomodam mas alguns blogueiros incomodam muito mais. Eu mesmo, sem qualquer justificativa aparente senão a de que postava textos criticando FHC e os tucanos venho sendo “deletado” e defenestrado sistematicamente por aqui. Nunca useu linguagem inapropriada,palavrões ou baixo nível, mas parece que ser anti-politicamente correto também é doença contagiosa, portanto…
Esclarecimentos:
1) o pedido de respeito não se dirigiu a você, obviamente, Ana; foi alusivo a alguns comentários que considerei ofensivos;
2) não tive a intensão de atacar os blogueiros; citei dois exemplos de jornalismo com J bem minúsculo; a especulação está virando notícia; não pode ser assim; hoje é contra o Lula, amanhã contra o Alckmin, o Serra ou o Aécio; difamação é um crime que as pessoas nem percebem que estão cometendo; quando isso vai para o jornalismo, o estrago na imagem das pessoas e das instituições é muito maior;
3) não citei o caso da Lista de Furnas porque não me lembrei; aliás, nem sei como a imprensa começou a noticiar; sei apenas que foi a partir de um blog; eu não entrei nessa; como muitos jornalistas, recebi uma cópia até colorida; acho até que as informações são verdadeiras, mas não dei prioridade a aprofundar e tentar comprovar minhas suspeitas porque até agora não foi possível.
Felicidades!
Nelson,
esta lista de furnas foi divulgada, realmente, por um blog. Um blog mantido por partidárias do pt. Portanto, apenas se atendo aos fatos, a especulação difamatória partiu de simpatizantes do partido ora no poder.
E quem as desmascarou? Ora, veja só, um outro blog.
Como no período colonial e na época da ditadura, os blogs são a nova forma pasquiniana de se fazer jornalismo. Dessa vez com a “liberdade” de imprensa ao lado dos que acreditam no poder da informação. Não é de assustar quando políticos sentem medo da agilidade da internet, que consegue disseminar, informar e mobilizar a sociedade antes mesmo de executarem ou forjarem suas defesas. Viva a tecnologia!
Acessem meu blog: www.blogdobinoculo.blogspot.com