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Uma novidade e uma dúvida na Datafolha

Eduardo Graeff, 09/04/06

Primeiro, o que não é novidade na última pesquisa Datafolha: a liderança de Lula continua fortemente concentrada no Nordeste. É aí que se esboça o cenário de vitória dele no primeiro turno, sem Garotinho. No Sul e Sudeste a disputa vai para o segundo turno, com empate técnico entre Lula e Alckmin nas duas regiões. Outra tendência que se manteve: Lula continuou deslizando para baixo em todas as regiões exceto o Sudeste. A oscilação desde meados de março ficou dentro da margem de erro, mas é significativa em relação à rodada de fevereiro: -7 pontos no Centro-Oeste/Norte, -5 no Nordeste e no Sul. A novidade nesse quadro, claro, é o encurtamento da distância entre Alckmin e Garotinho. Novidade relativa, contudo.

De dezembro a fevereiro a vantagem de Alckmin sobre Garotinho na Datafolha ficou entre 8 e 6 pontos. Depois subiu para 11 pontos e agora caiu para 5. A própria Folha explica as variações mais fortes nas duas últimas rodadas. A subida de Alckmin em meados de março coincidiu com sua escolha como candidato do PSDB. A subida de Garotinho, com sua presença numa série de programas políticos do PMDB. Nos dois casos, a amplificação do perfil dos candidatos pela TV teve reflexo imediato na opinião pública, diz Mauro Paulino, diretor do Datafolha.

Minha dúvida fica por conta da diferença entre os resultados desta Datafolha e do Ibope de 1 a 3 de abril no estado de São Paulo.

- Ibope: dianteira de 18 pontos de Alckmin sobre Lula no primeiro turno (46% a 28%) e vitória folgada no segundo turno (55% a 31%).

- Datafolha: dianteira de 6 pontos de Alckmin sobre Lula no primeiro turno (41% a 35%) e vitória menos folgada no segundo turno (55% a 38%).

Outro dado intrigante: no Ibope de fevereiro, Alckmin e Lula apareciam empatados com 32% no primeiro turno em São Paulo. Se Alckmin disparou mesmo 22 pontos em São Paulo, segundo o Ibope de abril, como pode ter caído 5 pontos na região Sudeste, segundo o Datafolha?

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Comentários anteriores (30)
Osame Kinouchi em 11/04/06 às 12:23

Desculpem se agora perdi um pouco a paciencia, depois desses comentarios absurdos sobre a pesquisa da Folha:
Dou aulas de Estatística para várias turmas aqui na USP. Um dos objetivos do curso do primeiro semestre é mostrar quais são os fundamentos da teoria de Amostragem e porque umapesquisa com 2000 pessoas bem amostradas é confiavel (na verdade, as pesquisas medicas normalmente usam amostrasmuito menores, e as pessoas usam tasi pesquisas para adotar seus remedios).
Assim, me desculpem, mas pessoas que falam que pesquisas estatisticas politicas não valem no Brasil (mas, engracado, so falam isso quando os resultados são desfavoraveis a elas!), de monstram um nivel de ignorancia tao grande apenas compativel com sua posicao classista de que pertencem a classe dos bem informados e formadores de opinião (ou seja, não tem a menor nocao de sua verdadeira mediocridade intelectual). A esses, recomento o Livro Estatistica Basica, de Bussab e Morentin. Please… Ok, imagino que apenas porque sou da USP vao me chamar de intelectual de esquerda etc… Bom…. o anti-intelectualismo é a marca central do facismo… entao por favor, talvez sejam melhor comparar o PT de Dirceu com o Stalinismo, nao Nazi-Facismo, como tem sido feito aqui no Blog. Facismo está mais ligado a ordens religiosas tipo Opus Dei…

Osame Kinouchi em 11/04/06 às 12:31

Vince e outros,

Quando voces entrevistam pessoas de seu proprio circulo social, mesmo que subordinados, voces estao fazendo uma amostragem tendenciosa.
Este é o principal erro a ser evitado numa pesquisa eleitoral. O numero de pessoas escolhdas numa pesquisa é definido a partir do erro a ser admitido (2% por exemplo) com “grau de confiança” de 95% (termo tecnico dificl de explicar aqui). De forma alguma equivale a “pesquisa cientifica de 10 pessoas”. Não tentem dar uma de superiores ou educados, pairando acima da patuleia do PT, quando suas leituras nao vao alem de livrinhos de marketing e auto-ajuda…

Eduardo Graeff em 11/04/06 às 12:38

O professor Osame tem razão: uma amostra de 2000 dá para obter resultados válidos para o eleitorado brasileiro. E é ingênuo duvidar das pesquisas contra e acreditar nas a favor. Já a referência à Opus Dei, professor, não sei. Duas ou três pessoas que conheço, militantes ativos dessa organização, são intelectuais de primeira qualidade e democratas convictos. Talvez você tenha outras referências. Ou talvez tenha em mente a origem da Opus Dei na Espanha franquista. Ou talvez se deixou impressionar pela tentativa de estigmatização ideológica dos lulistas-petistas contra o candidato da oposição. O que tem precedente nas práticas tanto do comunismo (stalinista ou não) como do nazi-fascismo. Vade retro, não é?

Abreu em 11/04/06 às 13:38

Professor Kinouchi,

Não desprezo o saber erudito nem desfaço da adeqüada utilização das técnicas científicas. Todavia, não me deixo iludir pelos que dominem “o poder da informação”, pois temos visto que não por poucas vezes, apesar de toda a cientificidade dos institutos, há “pesquisas” que fracassam bizonhamente.

Para provar o vício das “pesquisas” informais, feitas pelos simples cidadãos, Você diz que elas tenham-se limitado a um pequeno círculo social e a subordinados. Engano seu!

A pesquisa que todos podemos fazer entre “subordinados”, em regra, nos traz a sensibilidade do meio de onde eles provêm. As que fazemos entre nossos familiares, sócios, e contactos profissionais, idem. Quando questionamos pessoas nas estações de metrô, nos aeroportos, nas oficinas mecânicas, nas agências de bancos, etc., etc., também atingimos outras esferas (claro, que sem nenhim esmero científico).

Todavia, quem lhe garante que os “pesquisadores de campo” cumprem com um mínimo de rigor as especificações científicas?

Não é “lenda”, e sabemos que por conta própria, muitos “pesquisadores” fraudam, as pesquisas que levam à tabulação. Isto não é nenhuma novidade.

Quando ao mais, Você faz muito bem em defender a sua classe. “É assim mesmo que se faz”!

“Assim não pode”! “Assim não dá”!

Saudações respeitosas,

Osame Kinouchi em 11/04/06 às 19:02

Ok, Eduardo e outros participantes.

Obrigado pelas respostas de alto nivel, o que as vezes nao ocorre nos blogues politicos.
Vou me informar melhor sobre a Opus Dei, retiro minha associacao apressada entre essa Ordem e o Franquismo ou Facismo. Mas seria correto situar o Alckmin no espectro à direita dentro do PSDB, e portanto mais afinado com o PFL, ou não?

O que não entendi direito é voces estarem atacando o DATAFOLHA, porque pelo que me consta o grupo empresarial ligado a ele nao simpatiza com Lula, muito pelo contrário…

Respondendo as outras colocacoes. Concordo com voces, tanto o (proto-)facismo como o (proto-)nazismo produziram grandes filosofos, ideologos e polemistas como Nietzsche, Heidegger, os intelectuais integralistas aqui no Brasil.

Mas não consta que tenham produzido grandes cientistas naturais (a maioria, quando pode, emigrou, os que ficaram foi por nacionalismo mas poucos por verdadeiras convicçoes nazi-facistas). Porque será?
Quem sabe, se Hitler confiasse mais em Estatisticos do que em Astrologia ou a Vontade do Poder, teria evitado invadir a URSS…

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