A cúpula podre
Ascenção e queda de Álvaro Lins
A condenação do ex-governador Anthony Garotinho e do ex-deputado Álvaro Lins joga luz sob um período em que, sob o comando do primeiro, a Secretaria estadual de Segurança Pública do Rio se converteu num autêntico balcão de negócios. Sob a proteção política do então secretário Garotinho, Lins, chefe da Polícia Civil, montou, segundo investigações da Polícia Federal, um amplo esquema de proteção à máfia dos caça-níqueis, entre outros crimes. Escutas telefônicas feitas em 2006 mostravam ainda Garotinho e Lins discutindo o loteamento de delegacias entre aliados.
A carreira do paraibano Álvaro Lins, de 43 anos, foi meteórica. Ex-capitão da PM, afastado por suspeita de receber propina de bicheiros, passou no concurso para delegado de Polícia Civil, em 1997, e, três anos depois, chegou à chefia da corporação, levado pelo então governador Anthony Garotinho. Ele voltou ao cargo em 2003, já no governo de Rosinha Garotinho, quando se tornou alvo de investigações da Polícia Federal (PF).
Eleito deputado estadual em 2006, Lins escapou de ser preso na Operação Gladiador, da Polícia Federal, em dezembro daquele ano. Na ocasião, três inspetores ligados a ele, dos cinco conhecidos como “o grupo dos inhos”, foram presos, suspeitos de ligação com o contraventor Rogério Andrade. O grupo é acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e ligação com o crime organizado.
Embora protegido pela imunidade parlamentar, Lins acabou preso por agentes da PF em maio de 2008, e teve o mandato cassado pela Alerj três meses depois. Ele ficou preso por nove meses, até conseguir um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STF)
No último episódio, em dezembro de 2009, os cinco membros do grupo dos “inhos” foram expulsos da Polícia Civil, após um processo comprovar o enriquecimento ilícito dos cinco, que, juntos, acumulavam patrimônio estimado em R$8 milhões.





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