A hora de Angela Merkel
“A solução da crise européia está nas mãos da Alemanha”, escreveu José Serra neste post que radiografa a bomba armada debaixo do euro.
A crise jogou no colo da Alemanha a posição dominante que ela tentou e não conseguiu conquistar a ferro e fogo no passado. Só ela tem peso econômico, musculatura industrial e fôlego financeiro para desviar a Europa do caminho do buraco.
A dificuldade é política. Aliás, dificuldades.
De um lado, Merkel tem que acertar com os parceiros as próximas ações para conter a crise financeira na periferia da União Européia.
Do outro lado, tem que convencer os alemães a arcar com a maior parte do custo dessas ações.
Tem que fazer tudo isso rápido e ao mesmo tempo. Não é sopa.
Os parceiros europeus - França e Inglaterra, principalmente - podem espernear mas sabem que precisam da Alemanha para qualquer solução efetiva, como trocar os títulos dos países endividados por eurotítulos.
Convencer os alemães é que são elas. Eles fizeram sacrifícios na década passada. Assimilaram cortes de programas sociais, aumento de impostos e até redução de salários, enquanto outros países se endividavam. A tendência deles é dizer como a formiga para a cigarra: “Cantavas? Pois agora dança”.
Ninguém sabe o que pode acontecer. Se ainda der tempo para desarmar a bomba, está basicamente nas mãos de Merkel aproveitar ou perder a oportunidade.
Que tipo de líder ela é?
Por temperamento, diz The Economist, é “cautelosa, tática e naturalmente inclinada para o caminho do meio entre jogar duro e ir em socorro” dos parceiros em dificuldade.
Seus críticos, segundo The New York Times, reclamam que ela está mais preocupada com sua própria sobrevivência política como chanceler do que com a sobrevivência do euro. Mas qual governo europeu sobreviverá à implosão do euro?
Seus apoiadores dizem que, do seu jeito low profile mas metódico, ela está conseguindo a aprovação dos alemães para resgates financeiros impopulares, ao mesmo tempo em que impõe maior responsabilidade fiscal aos países endividados (Portugal, Espanha, Grécia, Itália).
The New York Times lembra que ela pagou para ver o risco de um calote da Grécia e obrigou os bancos a aceitar “voluntariamente” o desconto de 50% da dívida.
Sangue frio para jogar pôquer com banqueiros pode não ser tudo a esta altura, mas com certeza ajuda.





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