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A “primavera árabe” por quem viu de perto

Eduardo Graeff, 25/02/11

Peter Beaumont, correspondente do The Guardian no Oriente Médio, cobriu os acontecimentos na Tunísia e no Egito. Com base no que viu em campo, ele contesta tanto o ôba-ôba das “revoluções do Twitter” quanto a visão oposta dos que, sem ter estado lá, minimizam o papel da internet.

Na Tunísia o Twitter não teve muita importância, mas o Facebook sim. Com uma base de cerca de 2 milhões de usuários, ele foi decisivo para espalhar a revolta. Khaled Koubaa, presidente da Sociedade da Internet no país, contou a Beaumont:

“Três meses antes de Mohammed Bouazizi atear fogo em si mesmo em Sidi Bouzid tivemos um caso parecido em Monastir. Mas ninguém ficou sabendo porque não foi filmado. O que fez a diferença desta vez é que as imagens de Bouazizi foram postas no Facebook e todo mundo as viu.”

Com a mídia censurada, o Facebook funcionou como fonte independente de informação, especialmente de imagens mostrando as atrocidades do regime.

No Egito tanto o Facebook quanto o Twitter foram importantes para a organização das manifestações. Um guia de 12 páginas sobre como contestar Hosni Mubarak foi distribuído por email. Quando o regime puxou o fio da internet e das redes de celular era tarde: os manifestantes usaram cartazes nas demonstrações para informar os pontos de concentração no dia seguinte.

Já no Bahrain e na Líbia a internet está sendo mais importante para passar informações para o exterior do que para organizar as ações contra o regime.

Em todos os países, os videos de amadores divulgados pela internet serviram de material para as televisões, principalmente a rede Al Jazeera, que por sua vez, quando conseguiu driblar os bloqueios, retransmitiu-os para os países de origem.

Depois dos jornalistas, suponho, os comunicólogos, cientistas políticos e outros especialistas vão entrar em campo para consolidar as informações sobre a “primavera árabe” e tirar suas lições.

comunicação · egito, internet, revolução, tunísia
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