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Análise: Presidente eleita assume opção clara de esquerda na área de direitos humanos

Eliane Catanhêde, Folha de S. Paulo, 06/12/10

A declaração da presidente eleita, Dilma Rousseff, ao “Washington Post” promete uma guinada na polêmica e sistemática abstenção do Brasil na condenação a regimes ditatoriais no Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).

Durante os oito anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os embaixadores brasileiros se abstiveram quanto a sanções a Cuba, Sri Lanka, Mianmar, Sudão e, mais recentemente, Irã.

A argumentação do Itamaraty é que as votações do conselho têm sido politizadas para condenar adversários dos EUA, como o Irã.

O Itamaraty defende que, em vez de condenação para virar “diploma pendurado na parede”, é melhor manter o diálogo e a cooperação com os países acusados e tentar mudar de fato a situação dos direitos humanos.

Os críticos, dentro e fora do Brasil, ironizam que se trata de uma forma rocambolesca de simplesmente se omitir numa questão que deveria ser fundamental para Lula, ele próprio perseguido por uma ditadura enquanto líder sindical nas décadas de 1970 e 1980.

Com Dilma, essa posição tende a mudar. Mais do que apenas perseguida pela ditadura militar (1964-1985), ela foi presa e torturada.

Enquanto Lula tenta escapulir de rótulos ideológicos, ela assume claramente uma opção pela esquerda. Essa opção tende a se revelar não na política econômica, mas na área de direitos humanos, por exemplo.

Na sua primeira entrevista coletiva depois de eleita, Dilma foi bem mais enfática do que Lula ao classificar a morte da iraniana Sakineh como “muito bárbara” e se declarar “radicalmente contra”.

Dilma, que não tem relações próximas com o chanceler Celso Amorim, escolheu para sucedê-lo o ex-embaixador em Washington Antônio Patriota. Isso sinaliza outra mudança.

Ele é casado com a americana Tania, fala inglês sem sotaque e tem mais instrumentos para melhorar as relações com Barack Obama.

A expectativa é de um Itamaraty mais técnico do que político.

internacional · direitos humanos, política externa
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