Apagões atormentam venezuelanos
Chávez ordena medidas de economia de energia e diz que ‘desperdício dos ricos’ gera escassez
CARACAS. Sentado sobre uma das maiores reservas de petróleo do planeta, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está às voltas com um inusitado problema em seu país: racionamento de energia. E os constantes apagões têm levado manifestantes irados às portas da estatal de eletricidade, onde em protesto queimam suas contas e exibem aparelhos eletrodomésticos estragados pelo vaivém da energia.
O governo põe a culpa no El Niño, o fenômeno climático periódico no Oceano Pacífico que causa padrões climáticos irregulares — uma seca recorde, no caso venezuelano, baixando os níveis de água das hidrelétricas — e no aumento do consumo, sobretudo por parte dos mais ricos. Chávez advertiu que o desperdício de energia “é um crime” e domingo passado em seu programa “Alô, presidente” alertou os donos de shopping centers a pararem de gastar energia em excesso.
— Vão ter de comprar seus geradores, se não vou cortar a energia deles — ameaçou o presidente, que anunciou um plano de contingência para economizar energia e só em parte admite falhas do governo na manutenção e no planejamento do setor elétrico.
A oposição, no entanto, aponta tais problemas como a base da escassez de energia que o país atravessa agora.
Desde 2004, o consumo de eletricidade subiu 25%, e os críticos do governo alegam que não foram feitos os investimentos necessários para acompanhar o crescimento da demanda. “A crise de eletricidade é filha legítima de Hugo Chávez. Não são necessários testes de DNA para prová-lo”, acusou o jornalista Teodoro Petkoff em seu diário “Tal Cual”. O governo alega que gastou US$16,5 bilhões no setor elétrico desde 2002, mas apenas dois de mais de 30 projetos foram completados, segundo dados disponíveis no site da empresa estatal de eletricidade.
A ira dos cidadãos com a situação já levou à formação de organizações como o Comitê de Pessoas Afetadas pelos Apagões.
— Não há como negar que a ineficiência do governo causou esta crise — dispara a advogada Aixa López, que criou a associação após o nebulizador usado para tratar sua filha de 2 anos de asma ser desligado num apagão.
Segundo ela, antes das nacionalizações de companhias-chave do setor elétrico em 2007, o país não tinha passado por períodos graves de escassez de energia. Atualmente, aponta, blecautes ocorrem nos 24 estados venezuelanos, sendo que em oito deles a situação é mais séria, com ocorrência de três a cinco vezes por semana.





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