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Aparelha mas distribui

Eduardo Graeff, 27/02/09

O PT vem tentando, com algum sucesso, emplacar a idéia de que as denúncias do aparelhamento do estado, autoritarismo e corrupção no governo Lula são obra da direita antipopular, antidemocrática, branca, ressentida etc.

Este artigo de Maria Inês Nassif, do Valor, embarca totalmente nessa canoa (clipping).

Chega de “discurso udenista”, ela pede. Vamos a uma discussão civilizada sobre o “projeto de país”.

A premissa implícita é que preocupações com o respeito à lei e o fortalecimento das instituições são firula, frescura da classe média.

Atribui-se ao velho Adhemar o contraponto curto e grosso ao moralismo udenista: “rouba mas faz”. Mudamos tanto assim?

O lulo-petismo aparelha o estado, turbina as formas arcaicas e cria novas formas de clientelismo, encabeça a mais poderosa rede de corrupção que já se conheceu no Brasil. Mas, veja bem, dá bolsa-família aos pobres.

Ah, sim, e juros gordíssimos aos banqueiros.

E tranqüilidade geral à nação.

Para tirar mais uma do baú da história, Getúlio inaugurou a social-democracia à brasileira: foi ao mesmo tempo pai dos pobres e mãe dos ricos.

Com o capitalismo global botando dinheiro pelo ladrão foi fácil para Lula reeditar essa fórmula. Vamos ver como fica depois do carnaval.

E a oposição que se vire para arrumar um “projeto de país” melhor do que isso e se livrar da pecha de udenismo.

política ·
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Comentários anteriores (1)
paulo araújo em 28/02/09 às 07:39

Caro

Locupletemo-nos todos!

É fantástico como antigas análises sobre o udenismo retornam hoje como se fossem o supra-sumo da acuidade política e do refinamento e originalidade analíticos. Cito como exemplo o artigo publicado no jornal Valor Econômico: “Um novo padrão de discurso político”. Maria Inês Nassif, Valor Econômico, 26/02/09. Uma frase síntese do recado dirigido às oposições:

“A grande oportunidade dessas eleições, para todo o quadro político, é sair desse paradigma de oposição montado no discurso udenista.”

O recado da jornalista é um claro convite à inversão de valor contido na atualíssima frase do “moralista udenista” Estanislau Ponte Preta: “Instaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos!”

Há um já antigo texto escrito pelo professor Simon Schwartzman de novembro de 2006 [“A questão da ética na política (ou, o que havia de errado com a UDN?)”] no qual ele relembra um artigo mais antigo ainda escrito em 1954: “O Moralismo e a Alienação das Classes Médias”. De acordo com o professor, esta é uma das primeiras tentativas de desqualificação da ética e da moralidade política em nome da sociologia e da realpolitik da luta de classes. A crítica de 1954 dirigida aos “udenistas” da classe média é a mesma que a jornalista repõe quase literalmente em seu artigo endereçado à oposição. Ou é caso de plágio descarado ou, o que é mais interessante, talvez o seu artigo seja um indicador sobre o tanto que uma determinada construção intelectual do “moralismo udenista” está solidamente sedimentada (ideologia de granito) nos cérebros sectários preguiçosos e/ou interessados.

Simon Schwartzman inicia assim o seu artigo:

Na última campanha eleitoral (2006), a oposição levantou a bandeira da moralidade na política, que pode ter sensibilizado a muitos, mas não o suficiente para convencer a maioria dos eleitores a mudar seus votos. Ainda hoje, pessoas que insistem no tema da ética e da corrupção no trato das coisas públicas são acusadas de “udenistas” (...). Nos anos 50, um artigo famoso nos Cadernos de Nosso Tempo interpretava o moralismo udenista como uma manifestação da alienação das classes médias em relação às transformações que ocorriam no país, das quais elas não participavam. (...) Em última análise, o moralismo era somente uma arma política como qualquer outra, e o que importava eram os resultados das ações dos governantes, e não os detalhes de seu comportamento ético e moral.

Link para os artigos citados

http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?p=118&lang=pt-br

PS: A crítica ao “moralismo udenista” surge como o mais recente alvo estratégico da esquerda petista e filopetista na ocasião em que o PT foi pego com as cuecas recheadas na mão. O marco institucional dessa investida em prol da corrupção e da bandidagem é a entrevista oficial do presidente Lula em Paris, concedida a uma obscura jornalista, quando o chefe da quadrilha disse textualmente que o PT nada fez de diferente do que não tivesse sido feito antes na política brasileira. Ou seja, seguiu ao seu modo o “novo padrão de discurso político” indicado pela a jornalista e os que concordam com ela: locupletemo-nos todos!

Enfim, se querem pular para dentro da latrina, estejam à vontade. Mas não insultem, para tal fim, os que não querem se lambuzar de merda.

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