Aprendizes de democradura
Os operadores do capitalismo de estado lulista-petista sonham com taxas de crescimento chinesas. Mas na real o futuro que eles desenham para o Brasil é mais parecido com a Venezuela de Hugo Chávez e a Rússia de Vladimir Putin.
O Estadão de hoje traz flashes desse futuro. Num artigo de Marc Margolis sobe a Venezuela:
Outro dia, operários de Puerto Cabello descobriram toneladas de carne podre em câmaras frigoríficas desligadas por falta de energia - a quarta vez em três anos.
A decomposição vai além. Com a inflação anual beirando os 30%, o governo de Hugo Chávez reagiu como costuma reagir a emergências: fez um decreto. Congelou preços de bens e serviços, provocando sumiço imediato de alimentos. Quem ocultar mercadorias ou remarcar preços terá de responder à Guarda Nacional. Soa familiar? Ninguém falou em prender boi no pasto, mas na república bolivariana o roteiro acidentado da heterodoxia econômica repete-se como uma ópera-bufa. […]
A petroleira [PDVSA] já foi um exemplo de eficiência e sofisticação tecnológica na indústria do setor. Mas na gestão chavista virou tenda de milagres, vendendo produtos subsidiados, construindo casas populares e bancando a agricultura familiar.
Enquanto sua produção cai ano a ano, a PDVSA é obrigada a mimar os cubanos com petróleo barato e regar o Fundo de Desenvolvimento Nacional (Fonden), que já financiou usinas elétricas na Nicarágua, um estádio esportivo na Líbia, hospitais no Uruguai e fábricas de bicicletas no Irã.
A deterioração política vai no mesmo passo. O assédio chavista ao que resta de imprensa independente é implacável. Um dos principais pré-candidatos da oposição venezuelana para a eleição presidencial do ano que vem teve seus direitos políticos mutilados. Pode disputar a eleição mas, se ganhar, não pode assumir!
Na Rússia a economia vai bem, mas aparecem sinais de cansaço com o esquema de poder que já dura 12 anos. Putin chamou a cavalaria.
A poucos dias das eleições legislativas, o partido governista Rússia Unida luta contra o tempo para reverter as pesquisas de intenção de voto, que apontam que a legenda não obterá maioria na Duma, a câmara baixa do Parlamento. Além da tradicional mobilização da máquina estatal, a tática agora é usar o funcionalismo público para a campanha corpo a corpo.
Um relatório da organização russa independente Golos, que fiscaliza o processo eleitoral, mostra que o Rússia Unida passou a mobilizar empregados de estatais para fazer campanha. “São professores e médicos obrigados a convencer a população a ‘votar certo’. Autoridades condicionam a continuidade de programas sociais ao partido”, disse ao Estado o diretor de comunicação da ONG, Dmitri Merezhko.
Além do uso de obras públicas para campanha e da extensa presença em transmissões de TV, o relatório cita ainda o impedimento da circulação de jornais que não apoiam o governo e um projeto conhecido como “Amigos”, em que todos os funcionários da cidade de Kolyvanskiy Rayon, no centro do país, são obrigados a aderir a uma espécie de contrato que garante o voto de seus parentes e vizinhos para o Rússia Unida.
Apesar de dominar a campanha eleitoral, o Rússia Unida é o segundo colocado em arrecadação (US$ 13,8 milhões). A ONG Golos afirma que é impossível determinar quanto o partido já gastou, já que a maior parte das ações é bancada pelo governo […].
Não dá, felizmente, para comparar a democracia brasileira com as democraduras venezuelana e russa. Mas as ideias dos operadores lulistas-petistas apontam na mesma direção. E as práticas só não são mais parecidas por falta de oportunidade.





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