Sobre                        Contato                        Arquivo

Ato esvaziado, com Cabral, pelas estatais

O Globo, 31/07/10

Sindicalistas conseguem reunir cerca de cem pessoas para dizer que oposição vai privatizar empresas públicas

José Meirelles Passos

O ato, promovido ontem pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Centro do Rio, tinha sido anunciado como manifestação de apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB). Mas acabou esvaziado e se transformando numa defesa das companhias estatais, com o antigo discurso “terrorista” de que a oposição quer privatizar grandes empresas, já usado pelo PT na campanha presidencial de 2006. Vários dos oradores usaram o microfone para dizer que o maior risco das próximas eleições, em caso de uma vitória da oposição, seria o da privatização de empresas como a Petrobras, o BNDES, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil.

Cabral preferiu não enveredar por esse caminho, embora dissesse — logo na abertura de seu discurso de agradecimento — que o evento era “muito importante por ser simbólico”, pelo fato de acontecer em frente à sede da Petrobras, chamada por ele de orgulho nacional, e nas proximidades do maior banco de fomento da América Latina, o BNDES.

João Antônio de Moraes, coordenador da FUP, deu o tom do evento logo no início, dizendo que o tema da privatização deve ser inserido no atual de bate eleitoral. E acrescentou:

— O povo brasileiro não aceitará o retrocesso. Tentaram até mudar o nome da Petrobras. Tentaram sucatear essa e outras empresas, e hoje ainda têm a cara de pau de tentar voltar ao Executivo deste país — afirmou o coordenador da FUP.

Um mestre de cerimônias, vestindo camiseta vermelha da CUT, repetia frequentemente — como um mantra — que o evento era, de fato, “um ato de defesa do patrimônio público”. Ele foi marcado para o meio-dia, para coincidir com o horário de saída dos funcionários da Petrobras para o almoço. Estes, no entanto, não se comportaram como gostariam os organizadores do evento.

Panfletos oferecidos a eles por cabos eleitorais de uma dezena de candidatos a deputado e senador, presentes à manifestação, assim como da presidenciável Dilma Rousseff (PT) e de Cabral, foram rejeitados pela maioria dos funcionários da estatal. Ao saírem para o almoço, eles também não aceitaram engrossar o aglomerado de pouco mais de cem pessoas que CUT e FUP conseguiram reunir para ouvir os discursos.

— É hora de garantir a Petrobras para o povo brasileiro — insistiu Luis Fernando Gutman, candidato a deputado federal pelo PCdoB.

Jandira Feghali, do mesmo partido, candidata ao mesmo posto, bateu na mesma tecla:

— Petrobras e BNDES são orgulhos deste país, depois de interrompido o ciclo negativo dessas empresas que, no governo anterior, quase foram privatizadas, depois de levadas ao fundo do poço.

A petista Benedita da Silva, que pretende ser eleita deputada federal, também engrossou o caldo:

— A oposição quer o atraso, nós queremos o avanço. A Petrobras está em risco porque as outras candidaturas não a colocam como prioridade. O que é bom deve continuar. Vamos demonstrar o que estamos defendendo para o país, com Dilma Rousseff presidente e Cabral governador.

Cabral, por sua vez, preferiu destacar o legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando que “Dilma será a presidenta que vai dar continuidade a esse projeto nacional criado por ele”; e cujos acertos, afirmou, são reconhecidos unanimemente por trabalhadores e pelos empresários.

— Não podemos brincar num momento como esse. De um lado temos o projeto do presidente Lula, que não tem uma candidata inventada, mas alguém que conhece este país. Dilma não caiu de paraquedas — afirmou Cabral. E completou:

— É hora de nos mobilizarmos. Eles (a oposição) estão lá do outro lado urubuzando. Parecem um monte de abutres, vendo só o que está dando errado. Eles querem o chororô. Nós queremos o melhor para o povo. E o melhor para o povo é Dilma — disse.

Ao final, Cabral caminhou até o Largo da Carioca, onde ele inaugurou um comitê eleitoral de apoio à sua candidatura e à de Dilma. Denominado como “Comitê Nacional dos Trabalhadores”, ele foi montado pelo PT como uma representação política de vários sindicatos de trabalhadores — entre eles o dos professores, o dos petroleiros, o dos bancários, o dos portuários e o dos servidores federais.

política · eleição, privatização
Enviar   Imprimir  

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Posts recentes


Que onda!

Guilherme Fiúza viu na onda Luíza o fim da opinião pública tal como conhecemos. Pode ser. E daí?

Pesos e medidas

Nelson Breve, que hoje dirige a Empresa Brasileira de Comunicação, já foi mais exigente em matéria de critérios jornalísticos. Em 2006 ele se incomodava com a falta de checagem de informações.

Verniz fino

Em São Paulo, homenageada por Gilberto Kassab, Dilma Rousseff posou de boa moça. Horas depois, em Porto Alegre, deu declarações incompatíveis com a dignidade do seu cargo.

Flor do pântano

A participação secundária de Dilma num escândalo de corrupção no governo do Rio Grande do Sul mostra o mesmo padrão de conduta que ela segue hoje.

Louco amor

"Intelectual gosta, sim, de caipira. Intelectual não gosta é de ladrão!" O desabafo de FHC sobre Quércia, lembrado por Jorge Bastos Moreno, me fez pensar no amor dos intelectuais pelo operário Lula.

Rio alto astral

Os meios de comunicação do Rio, começando pela Globo, jogam para cima a cidade deles. Em São Paulo não há nada parecido. Por que será?

Dedões a mil

Parece que Ruy Castro nunca digitou nem prestou atenção um garoto digitando num celular. Achei um clip para ele ver.

Moscou dançou. Te cuida, Pequim

Jintao está certo sobre o perigo da cultura de massas ocidental, em todo caso. Vacilou, ele pode acabar na ala VIP da platéia de um concerto de rock na Praça da Paz Celestial, como seu colega Vladimir Putin no concerto de Paul MacCartney na Praça Vermelha.

A novela dos caças

Aldo Pereira sugere uma solução mista para a escolha do caça da Força Aérea Brasileira: uma esquadrilha sueca, outra americana. E para a França, nada? Pobre Sarkozy...

De onde vem o novo

Eric Hobsbawn explica por que a velha esquerda ficou de fora dos protestos que varreram o mundo em 2011. O novo motor das revoluções é a classe média, principalmente os jovens estudantes.

À nossa!

A indústria do vinho é uma das boas coisas da globalização. Mais e melhores vinhos, relativamente mais baratos, para nós, plebeus deste planeta.

Bolsa turismo

O real artificialmente valorizado é um verdadeiro programa de transferência de renda - do Brasil para Miami. The New York Times publica flagrantes dessa invasão.

Resposta aos difamadores

Verônica Serra divulgou a nota que transcrevo a seguir, a propósito do mais recente dossiê - este em forma de livro - fabricado contra o PSDB.

De olho na biruta

Beto Richa glosa o mantra do PSDB: "Esses anos todos: comunicação, comunicação é o nosso problema. E não conseguem achar o caminho." Por que será?
Mais posts