Ato esvaziado, com Cabral, pelas estatais
Sindicalistas conseguem reunir cerca de cem pessoas para dizer que oposição vai privatizar empresas públicas
José Meirelles Passos
O ato, promovido ontem pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Centro do Rio, tinha sido anunciado como manifestação de apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB). Mas acabou esvaziado e se transformando numa defesa das companhias estatais, com o antigo discurso “terrorista” de que a oposição quer privatizar grandes empresas, já usado pelo PT na campanha presidencial de 2006. Vários dos oradores usaram o microfone para dizer que o maior risco das próximas eleições, em caso de uma vitória da oposição, seria o da privatização de empresas como a Petrobras, o BNDES, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil.
Cabral preferiu não enveredar por esse caminho, embora dissesse — logo na abertura de seu discurso de agradecimento — que o evento era “muito importante por ser simbólico”, pelo fato de acontecer em frente à sede da Petrobras, chamada por ele de orgulho nacional, e nas proximidades do maior banco de fomento da América Latina, o BNDES.
João Antônio de Moraes, coordenador da FUP, deu o tom do evento logo no início, dizendo que o tema da privatização deve ser inserido no atual de bate eleitoral. E acrescentou:
— O povo brasileiro não aceitará o retrocesso. Tentaram até mudar o nome da Petrobras. Tentaram sucatear essa e outras empresas, e hoje ainda têm a cara de pau de tentar voltar ao Executivo deste país — afirmou o coordenador da FUP.
Um mestre de cerimônias, vestindo camiseta vermelha da CUT, repetia frequentemente — como um mantra — que o evento era, de fato, “um ato de defesa do patrimônio público”. Ele foi marcado para o meio-dia, para coincidir com o horário de saída dos funcionários da Petrobras para o almoço. Estes, no entanto, não se comportaram como gostariam os organizadores do evento.
Panfletos oferecidos a eles por cabos eleitorais de uma dezena de candidatos a deputado e senador, presentes à manifestação, assim como da presidenciável Dilma Rousseff (PT) e de Cabral, foram rejeitados pela maioria dos funcionários da estatal. Ao saírem para o almoço, eles também não aceitaram engrossar o aglomerado de pouco mais de cem pessoas que CUT e FUP conseguiram reunir para ouvir os discursos.
— É hora de garantir a Petrobras para o povo brasileiro — insistiu Luis Fernando Gutman, candidato a deputado federal pelo PCdoB.
Jandira Feghali, do mesmo partido, candidata ao mesmo posto, bateu na mesma tecla:
— Petrobras e BNDES são orgulhos deste país, depois de interrompido o ciclo negativo dessas empresas que, no governo anterior, quase foram privatizadas, depois de levadas ao fundo do poço.
A petista Benedita da Silva, que pretende ser eleita deputada federal, também engrossou o caldo:
— A oposição quer o atraso, nós queremos o avanço. A Petrobras está em risco porque as outras candidaturas não a colocam como prioridade. O que é bom deve continuar. Vamos demonstrar o que estamos defendendo para o país, com Dilma Rousseff presidente e Cabral governador.
Cabral, por sua vez, preferiu destacar o legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando que “Dilma será a presidenta que vai dar continuidade a esse projeto nacional criado por ele”; e cujos acertos, afirmou, são reconhecidos unanimemente por trabalhadores e pelos empresários.
— Não podemos brincar num momento como esse. De um lado temos o projeto do presidente Lula, que não tem uma candidata inventada, mas alguém que conhece este país. Dilma não caiu de paraquedas — afirmou Cabral. E completou:
— É hora de nos mobilizarmos. Eles (a oposição) estão lá do outro lado urubuzando. Parecem um monte de abutres, vendo só o que está dando errado. Eles querem o chororô. Nós queremos o melhor para o povo. E o melhor para o povo é Dilma — disse.
Ao final, Cabral caminhou até o Largo da Carioca, onde ele inaugurou um comitê eleitoral de apoio à sua candidatura e à de Dilma. Denominado como “Comitê Nacional dos Trabalhadores”, ele foi montado pelo PT como uma representação política de vários sindicatos de trabalhadores — entre eles o dos professores, o dos petroleiros, o dos bancários, o dos portuários e o dos servidores federais.





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