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Benefício colateral

Eduardo Graeff, 01/05/10

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Há 42 anos, no 1º de maio de 1968, acertaram uma pedrada na cabeça de Abreu Sodré, governador de São Paulo.

Boa pontaria, alvo errado. O comício que ele organizara na Praça da Sé era para ampliar o diálogo com a oposição à ditadura. Acabou em pancadaria. A ditadura endureceu mais antes de abrandar (a ditabranda!). O país perdeu tempo, muita gente perdeu a paz, alguns perderam a vida.

Em retrospecto, nem o comício, nem a pedrada parecem ter sido uma boa ideia. Mas tiveram um efeito colateral bom.

Eu e uma colega de faculdade demos as mãos para correr da polícia. Há controvérsia sobre quem não soltou a mão de quem. O fato é que 42 anos, três filhos e cinco netos depois continuamos juntos.

Não corremos mais da polícia. Ainda bem - o fôlego já não é o mesmo.

Por estes dias, vejam só, quem resolveu me dar umas estilingadas foi o PT. Coisas da “luta política” lá deles.

Os tempos mudaram. A má pontaria política de alguns companheiros continua a mesma.

Foto: Abreu Sodré e outras autoridades pedem calma aos manifestantes na Praça da Sé, 1º de maio de 1968. PCO via Google Images.

pessoal · ditadura, intolerância, violência
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