Brasil vê mundo “a reboque” das revoltas árabes
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
O subsecretário-geral para a área de África e Oriente Médio do Itamaraty, embaixador Paulo Cordeiro, classifica a situação na Líbia como “guerra civil”. Diplomaticamente, porém, evitou dizer com clareza que a situação de Gaddafi é insustentável.
Para Cordeiro, que concentra no Itamaraty o acompanhamento da situação na Líbia e em outros países da região, a principal novidade é que o mundo ocidental “está a reboque” das revoltas populares do mundo árabe.
Os povos assumiram o controle das revoltas e coube às potências, como EUA e Europa, e aos demais países, como o Brasil, unificar o discurso pela democracia, não violência contra civis e atendimento às reivindicações sociais.
Ele identifica crise dos serviços de inteligência mais sofisticados do mundo, como a CIA, surpreendidos pelo movimento.
E, como diplomatas e especialistas em geral, também evitou prever os rumos das revoltas, mas descarta saídas teocráticas: “O Irã não é bom exemplo. Não há um clero tão hierarquizado quanto o do Irã na Líbia, no Egito ou na Tunísia”, disse.
Eis o seu balanço: “A Tunísia já está caminhando para um democracia de maioria islâmica com características diferentes das nossas, ocidentais, mas uma democracia. O Egito vai caminhar; Argélia e Marrocos abriram negociações e vão também por esse caminho”.
O Brasil, diz ele, está passando ao largo da crise por ser produtor de petróleo e mais: “É visto como amigo da Líbia e dos líbios pelos dois lados, o de Gaddafi e o dos revoltosos”.





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