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Capilaridade da publicidade e a pressão sobre a imprensa

Ex-Blog do Cesar Maia, 29/12/10

1. Se os problemas financeiros enfrentados pela imprensa, no mundo todo, mostram uma taxa crescente de perecibilidade na grande imprensa -jornais, revistas, rádios, TVs- imagine-se em relação à pequena imprensa. A entrada pesada do governo Lula nos pequenos veículos (plano Gushiken, pré-mensalão, quando era ministro da propaganda), ao tempo que gerou um alivio, gerou um risco e um constrangimento, em caso de descontinuidade.

2. Nas pequenas cidades, a importância do rádio é muito maior. As repetidoras das redes nacionais de TV têm seus programas locais, cuja busca de patrocínio é sempre problemática. E os jornais de porte médio e pequeno porte nem se fala. O governo Lula multiplicou o gasto em propaganda (publicidade, patrocínios, eventos, marcas culturais e esportivas, promoções, papelaria…) que, somando tudo (empresas estatais, convênios com estados e municípios que têm item de propaganda…), deve ter alcançado cerca de 10 bilhões de reais em 2010, invisíveis, pois boa parte não é contabilizada como propaganda/publicidade.

3. Essa imensa capilaridade cria pressões e constrangimentos à pequena imprensa, pelo risco de “perder a publicidade”. Os comunicadores populares têm que sublinhar seus testemunhais a cada release enviado pelo governo. A agência do governo federal deve ser replicada, etc. O TCU poderia avaliar, comparando os gastos em um e outro veículo, aqui e acolá para checar se os valores guardam relação com a comunicação ou com a política. E agora entram os blogs e afins, todos das redes “sociais” de militantes.


4. (Folha de SP, 28) “Quando Lula tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora, o número foi para 8.094. Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e “outros” estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram só 182 municípios. Só neste ano eleitoral de 2010, o dinheiro para publicidade de Lula passou a ser distribuído para 1.047 novos veículos de comunicação. A categoria “outros” inclui portais de internet, blogs, comerciais em cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou painéis em aeroportos.”

5. Chama a atenção o aumento do número de “outros”. Em 2003, eram apenas 11. Agora, são 2.512. A informação do governo é que a maioria é composta por sites e blogs na internet.

comunicação · liberdade de imprensa, publicidade oficial
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