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Carlos Estevam viu primeiro

Eduardo Graeff, 23/02/11

A ascensão da China vai dar chance ao Brasil de valorizar sua parceria com os Estados Unidos.

Ouvi isso pela primeira vez de Carlos Estevam Martins. Foi em 1999, creio. Vilmar Faria e eu queríamos ouvir ideias novas sobre a inserção do Brasil no mundo e suas implicações internas. Ideias novas e ambiciosas era com o Estevam. Passamos horas com ele, jogando umas provocações e ouvindo muito. Perfeita “masturbação sociológica”, diria Sérgio Motta.

Estevam saiu com essa: a alternativa da China seria estratégica, não para o Brasil dar as costas aos Estados Unidos, mas para tomar iniciativa de se aproximar mais, em melhores condições.

Na ocasião, soou até plausível, mas distante. Se lembro bem, quando Vilmar e eu relatamos a conversa ao nosso chefe ele ponderou: “Pode ser. Mas vamos ter que esperar a China crescer.”

Claramente, não era para já, mas não seria para tão longe quanto parecia.

Barack Obama vem aí. Na visita precursora, faz uns dias, seu secretário do Tesouro pediu apoio do Brasil para pressionar a China a valorizar sua moeda. Está claro que um dos assuntos na pauta entre Estados Unidos e Brasil é buscar pontos de convergência para equilibrar as relações comerciais com a China.

Antes mesmo da visita de Obama, coisas começam a acontecer. Hoje no Panorama Político d’O Globo:

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos estão conversando sobre a criação de uma joint venture entre o BNDES e o Eximbank. Ela teria como objetivo financiar empreendimentos comuns de empresas brasileiras e americanas em terceiros países. A proposta partiu dos EUA e o Brasil é simpático à ideia. O alvo da operação são países africanos e da América do Sul. Na África, o objetivo é enfrentar a agressividade da China.

Se tivesse internet onde Estevam e Vilmar estão eu lhes mandaria um email: “Pois é, bem que o Estevam falou.”

internacional · china, comércio exterior, eua
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