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“Chama o síndico!”

Eduardo Graeff, 25/09/09

Compartilho o comentário enviado por um amigo que, de ofício, acompanha muito de perto as contas públicas. É de tirar o sono.

“A coluna de Claudia Safatle hoje no Valor bem resume o testamento por um governo que ainda tem quinze meses para falecer, confessa a herança maldita que deixará e, melhor, já delega o serviço sujo ao futuro governo (seja qual for).

Quer dizer, o futuro defunto já antecipa as maldades que precisaram ser feitas pelo novo governo, inclusive algumas já por ele propostas e abandonadas.

Será que acham que algum candidato a presidente (seja quem for) prometerá no meio da campanha fazer todas essas maldades e ainda se eleger? Será que esperam que a oposição ao futuro governo (que até pode ser o atual governo) não arme uma enorme comoção, greves de servidores, passeatas e todas outras formas de resistências que já esquecemos (porque dizem que a presente oposição também esqueceu de ser oposição)? Se hoje não importa o gasto mas sim os serviços prestados, daqui a quinze meses se voltará a quinze anos, quando não se sabia nem para que servia o orçamento público, como a contabilidade que só servia para enganar autoridades e pobres…

Enfim, é uma crônica da encrenca anunciada. Mas a melhor parte ainda por vir.

O melhor é que fica combinado desde já, inclusive pelo dito ‘mercado’ (ou com sua imensa maioria), o seguinte:

1 - O testamento está escrito. Todos já sabem o seu teor – maldito. Se antes ignoravam, ou sabiam mas faziam de conta que não conheciam, agora subimos para um novo estágio. Quase todos aceitam a herança maldita como inevitável, algo como um acidente do destino, uma imposição dos deuses. Enquanto isso, mais e novas medidas que aumentam mais e mais a herança continuam sendo adotadas, basta ver discursos nos palanques, assistir as TVs legislativas etc. Tão certo quanto a maldição é que ela continuará a subir a cada dia, porque virou algo indiferente, que já não atrai nem mais crítica.

2 - Se a herança maldita é consensual, espantosamente, isso também significou que é o futuro herdeiro que está desde já matriculado para fazer o serviço sujo. Para não dizer, está sendo marcado para morrer. Afinal, como Claudia bem conclui: ‘a bomba será desarmada em dois ou três anos’, mas esquecendo os primeiros quinze meses desse período, no qual ela, já armada, só terá sua potência cada vez mais ampliada.

Portanto, fica assim combinado: quanto mais piorar o cenário fiscal no presente, maior será a conta que já espetamos desde já no futuro herdeiro, ungido como grande salvador.

Parece fim de música do Jorge Bem: ‘Chama o síndico, chama o síndico! Tim Maia, Tim Maia!’

Só alguém muito doidão para ser sindico e herdeiro. Volta, Tim.

(Pequeno detalhe: para quem acha o cenário pintado pela Claudia ruim, atentem que as contas consideram os últimos doze meses, nos quais ainda entram alguns meses com boa arrecadação e vários sem todo impacto do aumento de gastos. Se os mesmos indicadores fossem calculados só para o acumulado deste ano, que é o que importa para nova tendência, o grau de deterioração será quase dobrado. Se não houver uma mudança mais espetacular na receita, pois o gasto já está contratado, o superávit primário efetivo da União pode virar zero nos próximos meses.)”

finanças públicas ·
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