Chame o leão!
Recebi dados sobre o quadro de pessoal do BNDES com os seguintes comentários, que transcrevo com pequenas adaptações:
Entre 2001 (gestão Gros/Eleazar de Carvalho e último ano de FHC) e 2009 (gestão Luciano Coutinho), os cargos executivos no Sistema BNDES passaram de 457 a 745 (um aumento de 63%!), fazendo juz à piada que corre entre nossos colegas do Banco Central e do IPEA de que no BNDES há “executivos” e gerentes que, muitas vezes, só têm como subordinados… a si próprios. (Escuto esta piada desde que entrei no BNDES, mas parece que o problema se agravou com o passar do tempo.) Dentro deste quadro maior, observe-se que na categoria “gerentes” estes passaram de 200 no ano de 2001 a 337 na atual administração (um aumento de 68%!). Considerando que o quadro de pessoal do BNDES alcançava 2.122 pessoas em janeiro de 2009, dá uma média de 1,8 funcionários por cada cargo executivo. Certamente o número mais esdrúxulo já encontrado em estatísticas de pessoal em todo o mundo!
Sugiro testar a correlação entre estes números e o crescente inflacionamento do quadro de pessoal do banco por nomeações feitas por indicações político-partidárias (que têm uma especial predileção por “assessorias da presidência” níveis G (gerencial) e CD (chefia de departamento).
Outro dado que chama a atenção é o forte aumento de número na categoria “chefes de departamento”. De 68 em 15/07/2001, passaram a 110 em 29/01/2009.
Note-se que neste mesmo período o quadro de pessoal do banco somente aumentou 13%. A prosseguir neste rítmo de expansão, é de se prever que antes de 2020 o BNDES terá um quadro composto de somente “chefes de departamento”, “gerentes” e “assessores G e CD (isto se essa política tresloucada de distribuição interna de poder e gratificações correspondentes não tiver levado o banco a uma situação de não-sustentabilidade).
Finalmente, a explosão de “assessores da presidência classificados como chefes de departamento” é simplesmente espantosa : no começo da sua existência e nas décadas seguintes, os presidentes do BNDES contavam com um ou dois assessores, que traziam consigo ou recrutavam de entre os quadros do banco. Em 2001, os presidentes já não conseguiam trabalhar sem pelo menos 9 assessores diretos com gratificação de chefes de departamento. Carlos Lessa passou para 12. Pudera! Tinha que alojar no gabinete a dama de companhia da sua mulher, amigos dos filhos, filhos dos amigos etc. Mantega foi logo para 15. Tinha que acomodar a turma de São Paulo, uai… Na atual gestão, Luciano Coutinho chegou à conclusão que, sem 29 “assessores com gratificação de chefes de departamento”, nem pensar. Um aumento de 222%! Razoável até, pensando que ele teve que encontrar posições regiamente gratificadas para o pessoal do bispo Crivella, da Benedita-mulher-negra-e-favelada etc.
São números preocupantes. Ou que pelo menos deveriam preocupar àqueles que estão comprometidos com o futuro da nossa instituição.
Colegas nossas da área administrativa, a partir da leitura do raio-X do pessoal, observaram uma outra distorção que, no entanto, não foi captada pelo quadro. Trata-se do fato de os diretores do BNDES - no mais das vezes, os que vêm de fora do quadro do pessoal - trazerem consigo “secretárias” para ocupar esta função como cargos gratificados de confiança. O estipulado pelo estatuto do banco e pelo acordo com as associações de funcionários é que, uma vez findo o mandato do diretor, secretárias e assessores por ele nomeados ou trazidos com ele se vão. (Tal como no Egito antigo os servidores do faraó eram com ele enterrados no interior das pirâmides. Calma! Não estou sugerindo enterrar as secretárias e os assessores dentro de pirâmides na Avenida Chile, apenas traçando uma comparação histórica.) No entanto, observam as nossas colegas secretárias do quadro de carreira que muitas das secretárias trazidas de fora do quadro de concursados vão ficando, vão ficando, vão ficando…, numa coisa bem ibérica e brasileira. Vão ficando e ocupando os cargos que deveriam ser dos concursados (nem sequer podem ser transferidas para secretariar áreas ou departamentos, porque assim perderiam a condição de estar no Banco). Cria-se assim mais uma situação exdrúxula: os diretores se vão e deixam como heranças verdadeiras almas penadas, que por aqui ficam esperando o dia do Juizo Final. Sabem como é: o diretor que se vai pede ao que fica que “acolha” a fulaninha secretária ou o fulaninho assessor, pobre, não pode ficar sem emprego, e as almas penadas vão ficando, ficando, ficando… Normal, afinal concurso público é para os outros… Para os apadrinhados, para que a exigência de concurso?
Até o presente momento não há notícias dos dois assessores da presidência desaparecidos - sem sala, sem telefone, sem e-mail. Ao que parece, crescem as possibilidades de que tenham sido devorados pelo leão da piada.
Vai para o leão toda a nossa simpatia. A alternativa da pirâmide pode funcionar mas não parece nem de longe tão ecológica e divertida.





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