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Com crise, China rouba mais espaço dos produtos nacionais

O Estado de S. Paulo, 29/06/09

Brasil aumenta participação nas importações chinesas

Raquel Landim

Enquanto perde mercado para os chineses nos Estados Unidos, na Argentina e no México, o Brasil ganhou participação nas importações da própria China. A fatia do Brasil nas compras feitas pelo gigante asiático no exterior subiu de 0,7% em 2003 para 2,7% no acumulado de 12 meses até março deste ano.

“Ganhamos mercado na China, porque a recuperação das importações do país foi concentrada em commodities, que são vendidas pelo Brasil”, diz Sandra Ríos, consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em março, por exemplo, as importações chinesas totais caíram quase 25% em relação ao mesmo mês de 2008, enquanto as compras provenientes do Brasil cresceram 158%.

Entre 2001 e 2005, o Brasil dobrou sua participação nas compras chinesas, subindo de 0,7% para 1,5%. Esse porcentual ficou praticamente estável até 2008, quando ocorreu um salto. A fatia do Brasil nas compras da China saiu de 1,6% em 2007 para 2% em março de 2008, 2,6% em dezembro daquele ano e chegou a 2,7% em março de 2009.

Os três produtos mais relevantes nas exportações brasileiras para a China são minério de ferro, soja e petróleo. Levantamento da CNI aponta que o Brasil ganhou participação nas compras chinesas desses itens, com exceção do minério de ferro.

Em 2003, a China adquiria do Brasil 31% da soja que precisava. Esse porcentual subiu para 33,4% em 2008 e para 34,2% em março de 2009. O Brasil é o segundo maior fornecedor de soja para a China, atrás dos EUA.

Os chineses estão comprando mais soja brasileira neste início do ano, aproveitando a queda dos preços das commodities provocada pela crise. Além disso, os sojicultores brasileiros também ocuparam o espaço de seus colegas argentinos, que tiveram uma colheita decepcionante.

No minério de ferro, o volume vendido para a China também aumentou neste início de ano, mas o Brasil apenas recuperou a fatia que havia perdido em 2008. Em março, o País foi o segundo maior fornecedor de minério para os chineses, com 23,8% do total. O porcentual é inferior aos 27% de 2007, mas similar aos 24,6% de 2003.

O petróleo ganhou importância nas exportações brasileiras para a China este ano, mas o Brasil ainda é irrelevante como fornecedor da commodity para o gigante asiático. Em 2003, o Brasil respondia por apenas 0,1% das importações de petróleo da China. Em março de 2009, esse porcentual chegou a 1,8%.

Nos últimos cinco anos, os produtos em que o Brasil mais ganhou participação nas compras da China foram tabaco, granito e suco de laranja. O País é o principal fornecedor desses itens para a China, respondendo, respectivamente, por 59%, 61% e 83% das importações totais.

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