Sobre                        Contato                        Arquivo

Com crise, China rouba mais espaço dos produtos nacionais

O Estado de S. Paulo, 29/06/09

Máquina brasileira perde para chinesa

China ganha competitividade também na área tecnológica

Raquel Landim e Cleide Silva

A China deixou de ser uma dor de cabeça apenas para os fabricantes de sapatos, roupas ou móveis. O país asiático também está ganhando mercado do Brasil em produtos que utilizam mais tecnologia e contribuem mais para a balança comercial do país como máquinas, eletrônicos, autopeças ou aço, revela estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os chineses fornecem hoje quase 18% das máquinas que a Argentina compra no exterior. Em 2003, ano em que decidiu participar ativamente do comércio internacional, a China respondia por 8% do total. Ao optar por máquinas chinesas mais baratas, as indústrias argentinas compraram menos do Brasil. A participação brasileira nas importações de máquinas do vizinho caiu de 24,4% em 2003 para os atuais 20,6%.

Em meados do ano passado, a Franho Máquinas e Equipamentos, que produz serras de grande porte para o corte de aço, desistiu de exportar para a Argentina. Luciano Maia Costa, gerente do departamento comercial da empresa, conta que as indústrias argentinas pararam de investir por causa da crise. A concorrência com a China também atrapalhou bastante, porque o país oferece aos argentinos máquinas 30% mais baratas que as brasileiras.

No primeiro quadrimestre, as exportações de máquinas do Brasil para a Argentina caíram 25,6%. “Eles abriram as portas para receber produtos da China em detrimento do produto brasileiro”, diz Nelson Deduque, diretor de mercado externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

No setor eletrônico, estudo da consultoria Prospectiva aponta que o Brasil vem perdendo espaço em todos os países da América Latina. Em 2003, o País vendeu US$131 milhões em computadores para os 18 países da região. Quatro anos depois, o montante foi 8,5% maior, ou US$142,2 milhões. Já as vendas de computadores da China no continente cresceram mais de 600%, de US$258,8 milhões para US$1,98 bilhão.

A fabricante de componentes eletrônicos Kraus & Naimer chegou a exportar mais de 20% da sua produção. Hoje, apenas 4% do que produz na fábrica de Cotia, na Grande São Paulo, segue para o mercado externo. “Certamente perdemos mercado para os chineses”, diz Mario Sergio Amarante Filho, gerente de vendas e marketing.

Sandra Ríos, consultora da CNI, alerta para o avanço da China no mercado de aço dos Estados Unidos. Após investir pesadamente no setor, os chineses fornecem 8,4% do aço que os americanos compram, comparado com 10,4% do Brasil. Em 2003, as siderúrgicas brasileiras atendiam os mesmos 10% do mercado, mas as chinesas tinham apenas 2%.

A Embraer também registrou uma pequena queda de participação nas importações de aviões dos EUA de 10,8% em 2003 para 9,1%. Os chineses subiram de 0,4% para 0,9% no período. “É algo para prestar atenção, porque os chineses estão desenvolvendo tecnologia em uma área que a Embraer tem claro domínio”, diz Ríos.

Os Estados Unidos respondiam, em 2000, por 34% das exportações das autopeças brasileiras, participação que no ano passado caiu a 17,5%. Parte da perda é relacionada à queda das vendas de veículos naquele país, mas parte também é creditada a uma maior ocupação de componentes asiáticos, especialmente os chineses.

No México, um mercado importante para as montadoras brasileiras, a participação do País nas importações de automóveis e autopeças caiu de 8,7% em 2003 para 5,3% em março de 2009. A fatia da China subiu de 0,8% para 3%.

economia ·
Enviar   Imprimir   Fonte
Página 3 de 3  < 1 2 3

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Posts recentes


Olho no México

O Brasil não precisa deixar a captura do estado ir tão longe. O caso Cachoeira poderia ser o sinal de alarme para um pacto contra a corrupção política e o crime organizado.

Deixem o governador falar

O PSDB precisa resolver: ou defende claramente o governador Marconi Perillo, ou admite claramente que não tem condições de defende-lo.

Bem na foto

Não tem como negar: a atual presidente e os ex, todos eles, estão bem na foto da instalação da Comissão da Verdade.

Problemas na “Lei Dieckmann”

Os deputados não devem, na pressa, perder a oportunidade de ouvir mais quem entende do assunto e corrigir as falhas do projeto.

FHC e Jefferson

Sobre a concessão do Prêmio Kluge a FHC: "Não só é a primeira pessoa com uma carreira política pessoal relevante a ganhar este prêmio, como é também um representante acabado do que chamamos cientista social. Se quiser fazer uma comparação americana, ele é como Jefferson".

Salvo pelo BNDES

Opinão d'O Globo: "É necessário averiguar os vestígios de interferência política na compra da Delta pelo JBS".

Não dá para não ler

As suspeitas sobre os dois governadores são parecidas: ligações impróprias com Carlos Cachoeira. O tratamento editorial da Folha varia. Um governador, de Goiás, é "tucano". O outro, petista, é "do DF".

Para não dizer que eu não falei da Globo

A Virada Cultural paulistana foi um desastre e o Viradão Carioca um sucesso, segundo O Globo. Não sei se vou para o Rio na próxima virada ou assino outro jornal.

Quem merece essa jurisprudência?

Como a nota não cita fonte, nunca se sabe... Espero que não seja verdadeira. Se o PSDB se deixar enquadrar desse jeito, já era.

Mais inteligentes, menos violentos

Posso acreditar que a razão venha nos salvar das formas endêmicas de violência. Se não é verdade, é bem sacado. Os homicídios estão mesmo em queda em São Paulo e até no Rio de Janeiro. Podem muito bem continuar a diminuir no planeta.

Mais herança maldita

Governadores e prefeitos fariam melhor de não esperar sentados pela próxima onda de greves dos funcionários em geral e ameaças de motim da polícia.

Brecha na proibição do aborto

Para quem acredita em alma, o feto que não tem cérebro deve ser protegido mesmo assim porque tem alma.

A língua do PT

"Hegemonia", na língua do PT, é isso: a pretensão de reescrever numa penada o dicionário e a história do Brasil.

Até 2020

Tomando nota: três tendências ou fatos que devem ter forte impacto sobre o equilíbrio do mundo até 2020.
Mais posts