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Comparações e Coerência

Marcus Pestana, O Tempo, 04/02/10

O PT e o patrimônio político do PSDB

Muito se tem falado sobre o caráter plebiscitário das próximas eleições. Nossos adversários passam a ideia de que o PSDB não resistiria a uma comparação.

Ledo engano. O PSDB deu uma contribuição inquestionável à democracia, à estabilização da economia e ao combate à miséria. Há um inegável traço de coerência em sua prática. O mesmo não é possível dizer do PT.

Se tomarmos como parâmetro a busca da democracia e do desenvolvimento, veremos posturas opostas.

A começar pela transição democrática. Após a derrota das eleições diretas para presidente, em 1984, as forças democráticas alinhavaram a candidatura de Tancredo Neves contra o autoritarismo. Em janeiro de 1985, Tancredo vence, em nome da democracia, com os votos dos futuros membros do PSDB. O PT se omite, não comparece e expulsa três deputados apoiaram Tancredo.

Logo à frente conquistamos a sonhada Constituinte soberana. A nova Constituição consolidou a democracia e introduziu conquistas como o SUS e o seguro-desemprego. Ulysses Guimarães chamou-a de “Constituição cidadã”. Os tucanos votaram a favor, os petistas se negaram a assiná-la.

Veio a crise do afastamento de Collor. Diante da ameaça de retrocesso, o PSDB aceitou a convocação do presidente Itamar Franco para integrar o governo de união nacional. O PT, preso a cálculos oportunistas, se negou a participar.

A inflação e a instabilidade ameaçavam corroer o país. O PSDB apoiou o Plano Real, o Proer, a privatização dos bancos estaduais, a responsabilidade fiscal, a renegociação das dívidas dos Estados, a abertura externa. Tudo isso foi essencial para o Brasil ser hoje o que é. O PT trabalhou e votou contra todas essas medidas.

Era necessária uma profunda reforma no papel do Estado brasileiro. A privatização da Vale, do setor siderúrgico, da Embraer, foram essenciais para o dinamismo das exportações, para a modernização da economia, para o equilíbrio externo e o crescimento. Se não fosse a privatização das telecomunicações estaríamos na idade da pedra na transmissão de dados e voz, elemento chave na vida contemporânea. Mais uma vez: PSDB a favor, PT ativa e radicalmente contra.

O PT sempre defendeu que era preciso “mudar tudo o que aí estava”. No poder, sem autocrítica pública, adotou os fundamentos da política econômica do PSDB.

Como podemos ver, uma avaliação precisa e isenta da história recente do país ainda está por ser feita. Quem verdadeiramente defendeu a democracia e o desenvolvimento? Quem foi coerente e quem rasgou velhas bandeiras?

Em 2010, discutiremos o futuro. Mas se enganam aqueles que querem criar um ambiente de intimidação política e ideológica, imaginando que o PSDB será frágil na defesa de seu patrimônio político.

Podem alguns não gostarem, mas o PSDB foi ator central na construção da democracia e na estabilização da economia.

Deputado estadual (PSDB-MG)

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