Sobre                        Contato                        Arquivo

Contra indexação, governo quer mudar correção de dívida estadual

O Globo, 30/05/11

Débito de 18 estados salta de R$102,7 bilhões para R$347 bilhões

Martha Beck

BRASÍLIA. Ao admitir rever a forma de correção das dívidas dos estados com a União, a equipe econômica quer não apenas avançar na reforma tributária, obtendo reduções do ICMS, mas também evitar a explosão de uma verdadeira bomba relógio fiscal que já começou a se formar. Os indexadores dos contratos - IGP-DI mais um percentual que varia de 6% e 9% - encareceram os débitos de tal forma que alguns deles triplicaram. Caso do Rio de Janeiro. Quando foi renegociada com a União em 1998, a dívida do estado era de R$18,5 bilhões. Mas, segundo a secretaria de Fazenda fluminense, está em R$58,9 bilhões e já tem resíduo de R$17,3 bilhões que terá que ser desembolsado após o fim do contrato, em 2028.

No acerto com a União, foi incluída nos contratos uma cláusula pela qual as parcelas pagas seriam limitadas a 13% das receitas dos estados. A ideia era evitar que elas ficassem muito elevadas. Acertou-se que, se ao fim do contrato houvesse algum resíduo de dívida, precisaria ser pago em até 10 anos.

- O Rio vem pagando tudo regularmente, mas já tem um resíduo elevado. Quando chegar o momento do fim do contrato, isso vai ser um problema - afirma o secretário de Fazenda do estado, Renato Villela.

- A dívida dos estados está sendo jogada para frente e as agências de classificação de risco já estão começando a ver esse quadro com preocupação - alerta o especialista em contas públicas Raul Velloso.

Em alguns estados, dívidas quintuplicaram

Em outros lugares, o indexador, combinado com problemas fiscais, fez com que as dívidas quintuplicassem. Isso ocorreu com o Rio Grande do Sul, cujo saldo subiu de R$7,1 bilhões para R$37,4 bilhões. A dívida de Goiás quadruplicou. Levantamento do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) em 18 estados mostra que, juntos, deviam R$102,7 bilhões quando fecharam acordo com a União com base na lei 9.496/97. Hoje, o valor é de R$347 bilhões.

Segundo o secretário de Fazenda de Goiás, Simão Cirineu, esse crescimento se deve em boa parte ao indexador escolhido na renegociação:

- A Selic estava em quase 30% ao ano enquanto o IGP-DI estava em torno de 13% ou 14%. A realidade era outra.

Para o secretário de Fazenda de Minas Gerais, Leonardo Colombini, o IGP-DI como indexador causa mais preocupação porque é influenciado pelos preços de commodities. O Tesouro Nacional não emite mais títulos corrigidos por esse indicador. Dados da pesquisa Focus, do Banco Central, projetam variação de 6,27% para o IPCA de 2011 e 6,89% para o IGP-DI.

- Uma possibilidade razoável seria que o indexador fosse o IPCA ou a Selic, o que for menor. Isso daria mais conforto aos estados e ao próprio governo, que não correria o risco de ficar no prejuízo - disse Villela, do Rio.

Segundo Colombini, a dívida mineira saltou de R$14,8 bilhões para quase R$55 bilhões, e o resíduo está em R$26 bilhões, apesar do aumento das receitas (e portanto do valor das parcelas) na última década.

Governo já tem feito contas com o IPCA

Nas duas últimas semanas, governadores de Sul, Sudeste e Nordeste discutiram as mudanças nos indexadores com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a maioria defendeu a Selic. O ministro não quis se comprometer com qualquer alteração, mas acenou com a possibilidade de mudança, destacando que o assunto mexe num ponto sagrado da política econômica: a Lei de Responsabilidade Fiscal - que proíbe que a União faça refinanciamentos posteriores ou altere cláusulas dos contratos.

Nos bastidores, os técnicos acreditam que o argumento de salvar as contas dos estados é suficiente para tocar na lei. O governo estuda mudanças e tem feito contas com o IPCA. Os técnicos da equipe econômica querem dar aos estados compensações para que abram mão de incentivos dados via ICMS para atrair investimentos e arrecadar mais.

finanças públicas · dívida pública, federação, indexação
Enviar   Imprimir  

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Posts recentes


Olho no México

O Brasil não precisa deixar a captura do estado ir tão longe. O caso Cachoeira poderia ser o sinal de alarme para um pacto contra a corrupção política e o crime organizado.

Deixem o governador falar

O PSDB precisa resolver: ou defende claramente o governador Marconi Perillo, ou admite claramente que não tem condições de defende-lo.

Bem na foto

Não tem como negar: a atual presidente e os ex, todos eles, estão bem na foto da instalação da Comissão da Verdade.

Problemas na “Lei Dieckmann”

Os deputados não devem, na pressa, perder a oportunidade de ouvir mais quem entende do assunto e corrigir as falhas do projeto.

FHC e Jefferson

Sobre a concessão do Prêmio Kluge a FHC: "Não só é a primeira pessoa com uma carreira política pessoal relevante a ganhar este prêmio, como é também um representante acabado do que chamamos cientista social. Se quiser fazer uma comparação americana, ele é como Jefferson".

Salvo pelo BNDES

Opinão d'O Globo: "É necessário averiguar os vestígios de interferência política na compra da Delta pelo JBS".

Não dá para não ler

As suspeitas sobre os dois governadores são parecidas: ligações impróprias com Carlos Cachoeira. O tratamento editorial da Folha varia. Um governador, de Goiás, é "tucano". O outro, petista, é "do DF".

Para não dizer que eu não falei da Globo

A Virada Cultural paulistana foi um desastre e o Viradão Carioca um sucesso, segundo O Globo. Não sei se vou para o Rio na próxima virada ou assino outro jornal.

Quem merece essa jurisprudência?

Como a nota não cita fonte, nunca se sabe... Espero que não seja verdadeira. Se o PSDB se deixar enquadrar desse jeito, já era.

Mais inteligentes, menos violentos

Posso acreditar que a razão venha nos salvar das formas endêmicas de violência. Se não é verdade, é bem sacado. Os homicídios estão mesmo em queda em São Paulo e até no Rio de Janeiro. Podem muito bem continuar a diminuir no planeta.

Mais herança maldita

Governadores e prefeitos fariam melhor de não esperar sentados pela próxima onda de greves dos funcionários em geral e ameaças de motim da polícia.

Brecha na proibição do aborto

Para quem acredita em alma, o feto que não tem cérebro deve ser protegido mesmo assim porque tem alma.

A língua do PT

"Hegemonia", na língua do PT, é isso: a pretensão de reescrever numa penada o dicionário e a história do Brasil.

Até 2020

Tomando nota: três tendências ou fatos que devem ter forte impacto sobre o equilíbrio do mundo até 2020.
Mais posts