Contra os mil e um candidatos
Na última eleição para vereador na cidade de São Paulo, tivemos mil e sessenta candidatos, lançados por vinte e sete partidos diferentes. Mais da metade deles não chegou a obter nem mil votos, num universo de oito milhões de eleitores.
O cidadão, como seria de se esperar, fica como barata tonta. Como escolher adequadamente seu representante entre mais de mil opções? O tempo de que cada um dispõe na TV é insuficiente, às vezes, até para que diga seu nome e número; quanto mais para explicar seus princípios, idéias e propostas.
O resultado é o desinteresse geral. Na véspera da eleição, a maioria busca a referência de algum amigo ou parente que “entende de política”, e vota no indicado sem questionar. Ou segue a orientação de alguma liderança do bairro, que garante que o tal candidato “fez muito pela comunidade”, embora seja difícil lembrar de alguma vez em que o tal sujeito tenha sido visto por ali. Meses depois, quase ninguém se lembra em quem votou, como diversas pesquisas já demonstraram.
Não é possível nos resignarmos passivamente com isso. Existe sistema mais eficiente – e mais simples! – para a escolha dos nossos vereadores, e ele poderia ser implantado já no ano que vem com a aprovação de uma lei simples no Congresso Nacional.
O voto distrital puro para vereador seria viável nos municípios maiores, aqueles com mais de duzentos mil eleitores, nos quais há segundo turno nas eleições para prefeito. Bastaria que o Tribunal Regional Eleitoral se encarregasse de dividir a cidade em tantas regiões quantos vereadores ela tenha: São Paulo se dividiria em 55 distritos eleitorais, o Rio de Janeiro em 51, Salvador em 43, Porto Alegre em 37 distritos. Os eleitores de cada distrito escolheriam seu representante da mesma forma que escolhemos o prefeito: eleição direta, cada partido apresentando um candidato, e elegendo-se quem tiver mais votos.
As vantagens são óbvias. A escolha do eleitor seria clara: saberia a favor de quem e contra quem estaria votando. O voto distrital viabilizaria também, finalmente, um real debate público nas eleições municipais: em cada região poderiam ser organizados, não um, mas diversos debates entre os candidatos a vereador daquele distrito. Os candidatos se veriam obrigados a se aproximar dos eleitores, quem sabe percorrendo as ruas do distrito, e ouvindo da população suas queixas e propostas. E terminada a eleição, o eleitor não teria dúvida sobre a quem recorrer na Câmara Municipal: teria sempre ali o representante do seu distrito, tendo votado nele ou não.
Esta seria uma pequena revolução nas eleições municipais do pais – um verdadeiro novo movimento Diretas Já, agora para o Legislativo, como propôs o Serra. E além de tudo um excelente laboratório para possíveis mudanças no sistema de escolha de deputados estaduais e federais.
Gostou da idéia? Então se engaje no #euvotodistrital.





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