Sobre                        Contato                        Arquivo

Contra os mil e um candidatos

Daniel De Bonis, 17/05/11

Na última eleição para vereador na cidade de São Paulo, tivemos mil e sessenta candidatos, lançados por vinte e sete partidos diferentes. Mais da metade deles não chegou a obter nem mil votos, num universo de oito milhões de eleitores.

O cidadão, como seria de se esperar, fica como barata tonta. Como escolher adequadamente seu representante entre mais de mil opções? O tempo de que cada um dispõe na TV é insuficiente, às vezes, até para que diga seu nome e número; quanto mais para explicar seus princípios, idéias e propostas.

O resultado é o desinteresse geral. Na véspera da eleição, a maioria busca a referência de algum amigo ou parente que “entende de política”, e vota no indicado sem questionar. Ou segue a orientação de alguma liderança do bairro, que garante que o tal candidato “fez muito pela comunidade”, embora seja difícil lembrar de alguma vez em que o tal sujeito tenha sido visto por ali. Meses depois, quase ninguém se lembra em quem votou, como diversas pesquisas já demonstraram.

Não é possível nos resignarmos passivamente com isso. Existe sistema mais eficiente – e mais simples! – para a escolha dos nossos vereadores, e ele poderia ser implantado já no ano que vem com a aprovação de uma lei simples no Congresso Nacional.

O voto distrital puro para vereador seria viável nos municípios maiores, aqueles com mais de duzentos mil eleitores, nos quais há segundo turno nas eleições para prefeito. Bastaria que o Tribunal Regional Eleitoral se encarregasse de dividir a cidade em tantas regiões quantos vereadores ela tenha: São Paulo se dividiria em 55 distritos eleitorais, o Rio de Janeiro em 51, Salvador em 43, Porto Alegre em 37 distritos. Os eleitores de cada distrito escolheriam seu representante da mesma forma que escolhemos o prefeito: eleição direta, cada partido apresentando um candidato, e elegendo-se quem tiver mais votos.

As vantagens são óbvias. A escolha do eleitor seria clara: saberia a favor de quem e contra quem estaria votando. O voto distrital viabilizaria também, finalmente, um real debate público nas eleições municipais: em cada região poderiam ser organizados, não um, mas diversos debates entre os candidatos a vereador daquele distrito. Os candidatos se veriam obrigados a se aproximar dos eleitores, quem sabe percorrendo as ruas do distrito, e ouvindo da população suas queixas e propostas. E terminada a eleição, o eleitor não teria dúvida sobre a quem recorrer na Câmara Municipal: teria sempre ali o representante do seu distrito, tendo votado nele ou não.

Esta seria uma pequena revolução nas eleições municipais do pais – um verdadeiro novo movimento Diretas Já, agora para o Legislativo, como propôs o Serra. E além de tudo um excelente laboratório para possíveis mudanças no sistema de escolha de deputados estaduais e federais.

Gostou da idéia? Então se engaje no #euvotodistrital.

democratização · reforma política, voto distrital
Enviar   Imprimir   Fonte

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Posts recentes


Olho no México

O Brasil não precisa deixar a captura do estado ir tão longe. O caso Cachoeira poderia ser o sinal de alarme para um pacto contra a corrupção política e o crime organizado.

Deixem o governador falar

O PSDB precisa resolver: ou defende claramente o governador Marconi Perillo, ou admite claramente que não tem condições de defende-lo.

Bem na foto

Não tem como negar: a atual presidente e os ex, todos eles, estão bem na foto da instalação da Comissão da Verdade.

Problemas na “Lei Dieckmann”

Os deputados não devem, na pressa, perder a oportunidade de ouvir mais quem entende do assunto e corrigir as falhas do projeto.

FHC e Jefferson

Sobre a concessão do Prêmio Kluge a FHC: "Não só é a primeira pessoa com uma carreira política pessoal relevante a ganhar este prêmio, como é também um representante acabado do que chamamos cientista social. Se quiser fazer uma comparação americana, ele é como Jefferson".

Salvo pelo BNDES

Opinão d'O Globo: "É necessário averiguar os vestígios de interferência política na compra da Delta pelo JBS".

Não dá para não ler

As suspeitas sobre os dois governadores são parecidas: ligações impróprias com Carlos Cachoeira. O tratamento editorial da Folha varia. Um governador, de Goiás, é "tucano". O outro, petista, é "do DF".

Para não dizer que eu não falei da Globo

A Virada Cultural paulistana foi um desastre e o Viradão Carioca um sucesso, segundo O Globo. Não sei se vou para o Rio na próxima virada ou assino outro jornal.

Quem merece essa jurisprudência?

Como a nota não cita fonte, nunca se sabe... Espero que não seja verdadeira. Se o PSDB se deixar enquadrar desse jeito, já era.

Mais inteligentes, menos violentos

Posso acreditar que a razão venha nos salvar das formas endêmicas de violência. Se não é verdade, é bem sacado. Os homicídios estão mesmo em queda em São Paulo e até no Rio de Janeiro. Podem muito bem continuar a diminuir no planeta.

Mais herança maldita

Governadores e prefeitos fariam melhor de não esperar sentados pela próxima onda de greves dos funcionários em geral e ameaças de motim da polícia.

Brecha na proibição do aborto

Para quem acredita em alma, o feto que não tem cérebro deve ser protegido mesmo assim porque tem alma.

A língua do PT

"Hegemonia", na língua do PT, é isso: a pretensão de reescrever numa penada o dicionário e a história do Brasil.

Até 2020

Tomando nota: três tendências ou fatos que devem ter forte impacto sobre o equilíbrio do mundo até 2020.
Mais posts