Dança com hienas

Suely Caldas detalha o que eu anotei aqui há uns dias. Economistas do governo e da oposição concordam que:
1) a crise externa e a desaceleração da economia brasileira dão oportunidade de acelerar a queda da taxa de juros básica do Brasil;
2) para fazer isso sem perder o controle da inflação, o governo tem que apertar o gasto público ao mesmo tempo em que o Banco Central afrouxa o torniquete dos juros.
A discordância está na dosagem do aperto do gasto:
Quando [Armínio] Fraga fala em reestatizar o Estado, ele defende pôr fim à captura de verbas públicas por interesses privados, à distribuição política de cargos no governo e à transferência do dinheiro de impostos para ONGs de fachada. E quanto mais inchada a estrutura do governo, maior a necessidade de dinheiro para sustentá-la.
O que fazem 38 ministérios, além de abrigar apadrinhados de partidos políticos? EUA, Alemanha e França têm 15 ministérios; o Chile, 20; e a Índia, 13. Por que o Brasil precisa de 38? Como justificar um aumento salarial de 56%, como quer o Poder Judiciário, se metade do País não dispõe de água e esgoto tratados e a saúde pública é um desastre? Quanto mais perdurar tal desequilíbrio fiscal, mais lenta será a queda dos juros.
Dilma Rousseff e seus economistas sabem disso. O difícil é explicar para companheiros e aliados que só se unem - mais ou menos - feito hienas em volta da carniça de cargos e verbas federais.
Como é que tira comida da boca deles sem levar mordida? Só a tiro, avisou um ministro.
Como é que se pratica uma política fiscal austera com uma base política viceralmente expansionista?
Essa é a charada que Dilma tem que decifrar rápido para não ser devorada pelo dragão da inflação ou por sua própria matilha.





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