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Dilma e a lei de Lula

Eduardo Graeff, 31/10/11

O pente fino não vai funcionar se Dilma Rousseff não o passar na própria cabeça, primeiro, e nas dos manda-chuvas de sua base política, começando pelo PT.

A devassa nos convênios do governo federal com ONGs é um reconhecimento de que os desmandos não se limitam ao Ministério dos Transportes.

Mas não é por falta de instrumentos de fiscalização que a corrupção se generalizou. É por falta de liderança. Ou, pior, por causa da liderança pervertida de Lula.

Lula impôs ao seu próprio partido, lá atrás, a regra de que corrupção é boa se for pela boa causa - a causa do financiamento das campanhas dele. Foi este o sentido de inocentar os envolvidos no esquema da CPEM e expulsar Paulo de Tarso Venceslau.

A mesma regra garantiu a solidariedade do PT aos ministros e outros que tiveram que sair do governo Lula acusados de corrupção.

Dilma demitiu mais ministros, mais depressa, mas não desafiou a lei de Lula. Não disse uma palavra contra os ministros demitidos.

Se quiser realmente trazer a corrupção de volta a níveis, digamos, normais, ela precisa antes de mais nada dizer claramente que é errado roubar dinheiro público, seja para o próprio bolso ou para os cofres do partido.

Desconfio que isso ela não vai fazer, não necessariamente porque não queira, mas porque não pode. Não enquanto Lula continuar prestigiando a regra contrária.

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