Direitos iguais e especiais
Não inventaram nada melhor que a mulher para cuidar das pessoas. Miguel Srougi traz dados impressionantes sobre isso.
Elas [mulheres] são responsáveis por cerca de 70% do trabalho que sustenta as famílias e são provedoras quase exclusivas da assistência aos vulneráveis, crianças, doentes e idosos. Representam também, nas nações mais pobres, o principal elo, muitas vezes solitário, de agregação das famílias. Ademais, estudos da OMS e do Banco Mundial mostraram que, nos países pobres, a taxa de escolaridade dos filhos aumenta em quase 50% quando a mãe, ao contrário do pai, tem educação básica. Comprovaram ainda que, quando os proventos familiares são gerenciados pelo pai, e não pela mãe, as despesas com a alimentação dos filhos aumenta 15 vezes, devido ao desperdício e aos gastos inúteis. Além disso, para cada ano a mais de instrução da mãe, a taxa de mortalidade infantil diminuiu nove mortes em cada mil nascimentos.
Dizer que por isso elas merecem direitos iguais me parece uma conclusão aquém da premissa.
Junto com os direitos iguais vêm obrigações iguais no mundo masculino do trabalho e do poder.
As mulheres que assumem essas obrigações, por opção ou necessidade, sabem como é difícil acumulá-las com as obrigações especiais de cuidadora da família.
Vemos várias formas diferentes de equilibrar esses direitos e obrigações neste mundo misturado (bonita lembrança de Guimarães Rosa no artigo de Srougi).
Dá para distribuir melhor as tarefas domésticas entre os casais.
Os velhos sadios podem dar uma boa mão para os jovens com filhos pequenos (eu pessoalmente gosto muito dessa alternativa).
Mas nada disso nos dispensa de pensar nos direitos especiais para as mulheres que querem dedicar mais tempo à família.
Licença-maternidade, salário-maternidade são bons mas paliativos para a mulher empregada.
Bolsa-Família pode dar mal-e-mal para a mulher pobre do interior alimentar a família sem passar o dia inteiro trabalhando fora.
É pouco para o muito que a mulher faz.
