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Disse a que veio

Eduardo Graeff, 04/11/10

O Estado de S. Paulo:

Dilma aceita discutir nova CPMF com governadores

Docemente constrangida, lá vem ela tentar impor mais este “sacrificiozinho” (palavra de Cid Gomes) ao contribuinte.

Lá vem ela, com toda a autoridade moral de quem não vê nada especialmente preocupante na expansão do gasto público feita por Lula, com a ajuda imprescindível da ministra Dilma Rousseff.

E a oposição, vai dizer a que veio?

Ou vai se dividir e embananar já na largada?

Álvaro Dias não deixou a peteca cair:

Não existe nada mais consagrado para a população que a carga tributária é alta. Então discutir isso fora de uma mudança de modelo é um acinte.

Luiz Carlos Hauly e Antonio Carlos Pannunzio também botaram a boca no trombone. Disse Hauly:

O governo do PT termina sua gestão como o campeão da tributação dos pobres. E o presidente Lula não pôs dinheiro na saúde porque não quis, já que gasta bilhões em despesas correntes.

política, saúde · cpmf, gasto público
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Comentários anteriores (5)
Arlei Amaro de Paula Júnior em 04/11/10 às 18:10

A oposição tem que se fazer presente desde já. A primeira tarefa é desconstruir o mito Lula. O presidente disse que vai registrar em cartório os seus feitos. É interessante lembrar que ele (e o PT) foram contra o plano REAL, a Lei de Responsabilidade fiscal, o bolsa-escola, etc…Esses não feitos a oposição precisa alardear comprando espaço na mídia.

Paulo Araújo em 04/11/10 às 22:49

A responsabilidade fiscal já era. Morreu. Acorda, PSDB!

Superávit primário: descanse em paz

Valor Econômico – 28 de outubro de 2010

Conceito assombra aqueles que detestam o termo ‘responsabilidade fiscal’.

Superávit primário: descanse em paz
Mansueto Almeida

Aproveitou-se a capitalização da Petrobras para, mais uma vez, modificar o resultado do primário

Na prática, o que aconteceu foi que o Tesouro Nacional vendeu a cessão onerosa de exploração de petróleo para Petrobras, BNDES e Fundo Soberano, conseguindo uma receita de R$ 74,8 bilhões, e capitalizou a Petrobras em R$ 42,9 bilhões, ficando com um saldo de R$ 31,9 bilhões que se transformou em “superávit primário”.

Esse “saldo” poderá ser utilizado para qualquer coisa. Ou seja, esse novo “superávit primário” pode tanto ajudar o alcance da meta de 3,30% do PIB deste ano e, portanto, cobrir gastos que já foram efetuados, ou um eventual excesso em relação à meta atual pode ser carregado para o próximo ano para que seja abatido integralmente da meta do primário de 2011, como permitido pelo Art. 3º da LDO. O superávit primário morreu e talvez fosse melhor passarmos a ter metas para a poupança pública, que é um conceito que exclui os gastos de investimento. Mas se você ainda acredita na relevância do conceito de superávit primário depois deste artigo, por favor, poderia me enviar o endereço do Papai Noel?

Continua:

http://mansueto.wordpress.com/2010/10/28/superavit-primario-descanse-em-paz/


Contabilidade criativa e autoengano

É arriscado escrever algo sobre o assunto depois que Mansueto Almeida descreveu nestas páginas as exéquias do superávit primário, mas neste caso a indignação supera o receio da comparação com o excelente artigo publicado há uma semana. Refiro-me, é claro, à divulgação do desempenho fiscal do governo federal em setembro, que, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, teria registrado saldo pouco superior a R$ 26 bilhões, constituindo-se assim no maior da série histórica iniciada em 1997.

Continua:

http://maovisivel.blogspot.com/2010/11/contabilidade-criativa-e-autoengano.html

Eduardo Graeff em 05/11/10 às 07:13

A responsabilidade fiscal já era mesmo, Paulo. O segundo governo Lula, deste ponto de vista, passou longe de ser o quarto governo FHC.
O engraçado é que os analistas do mercado financeiro continuam fazendo de conta que acreditam que a responsabilidade fiscal vai muito bem obrigado, e que vai continuar bem com Dilma.

Paulo Araújo em 05/11/10 às 10:20

Caro

O que ainda me espanta é o silêncio do jornalismo econômico a respeito da gravidade dessa situação. Uma hora essa conta vai chegar e, mais uma vez, seremos nós, os contribuintes, os pagadores dos mau-feitos do governo. Na campanha, os candidatos foram unanimes no reconhecimento da alta carga tributária. Finda a campanha, o que se discute agora é se a CPMF deve voltar.

Trabalhei em outubro deste ano com alunos adultos em São Paulo, capital, com baixa escolaridade em curso noturno. Eles aprenderam o que é PIB, carga tributária (direta e indireta) e divida pública. No senso comum desses alunos estava clara a ideia (não nestes termos) de que o Estado não produz riqueza, mas expropria parte dela com a cobrança de impostos, e que os serviços públicos são ruins ou deficitários. O que eles não sabiam era o peso da tributação indireta nos rendimentos deles. Enfim, eles entenderam muito bem a relação da carga tributária com o PIB e que o governo não pode gastar além do arrecada (que é muito) e emitir dívida para continuar gastando mal.

Fiz essas contas, utilizando com eles o excelente material disponibilizado pelo IBPT.

Exemplos:

Você sabe quantos dias do ano o brasileiro trabalha para pagar impostos?

Em 2010 a cobrança total de impostos no Brasil pode chegar a R$ 1.000.300.000.000,00 (um trilhão e trezentos milhões de reais). O equivalente a 8.406 Megas Senas (R$ 119 milhões)

Em 2010 o brasileiro irá trabalhar em média 147 dias por ano para pagar impostos. Isso quer dizer que em um ano de trabalho o brasileiro paga em impostos o que ganhou em 5 meses.

Na década de 1970 o brasileiro trabalhava em média 76 dias por ano para pagar impostos. Isto é, pouco mais de 2 meses no ano.

Conclusão

1. Desde os anos de 1970 até 2010 passaram 40 anos. Portanto, nesse período de 40 anos os dias de trabalho que o brasileiro pagava em imposto passaram de 76 dias para 147 dias no ano.

2. No Brasil o governo cobra impostos de primeiro mundo, mas o retorno de benefícios como saúde, segurança, educação, saneamento básico (esgotos) para a população acontece como em um país de terceiro mundo.

3. Em comparação com outros países,  os cidadãos brasileiros estão entre os que mais pagam impostos no mundo, perdendo apenas para a Suécia (185 dias) e a França (149 dias). Estes são números de dias em alguns países: Espanha (137 dias), EUA (102 dias), Argentina (97 dias), Chile (92 dias) e México (91 dias).

Você sabe o que é o impostômetro?

Não temos uma ideia clara a respeito de quanto o governo recebe de impostos. Então surgiu a ideia de criar o impostômetro, que é uma espécie de velocímetro que mostra a todo momento o imposto que está sendo cobrado pelo governo. Ou seja, é um tipo de contador para o quanto que o governo está recebendo de dinheiro público. O impostômetro fica na Rua da Boa Vista nº 51, no centro de São Paulo, e é mantido pela Associação Comercial de SP.

http://www.contribuintecidadao.org.br/

Tabela que mostra os impostos de alguns presentes do Dia das Crianças:

Tributação sobre brinquedos
Produto   %  de tributos
Aparelho de som   36,80
Aparelho MP3 ou IPod   49,45
Bicicleta   45,93
Bola de Futebol   46,49
Brinquedos em geral   34,30
CD   37,88
Coelho de Pelúcia   29,92
Computador acima de RS 3 mil   31,61
Computador até RS 3 mil   24,30
Livros   15,52
Patins   52,78
Ptaystation   72,18
Roupas   34,67
Telefone celular   39,80
Violão   38,77

Fonte:http://www.ibpt.com.br/home/publicacao.view.php?publicacao_id=13872&PHPSESSID=f4cfcd1df14599406420132a04faf3d2

Fonte: IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
Entidade criada em 11/12/92, cujo objetivo é a difusão de sistemas de economia legal de impostos; divulgação científica do tema; estudo de informações técnicas para a apuração e comparação da carga tributária individual e dos diversos setores da economia; e análise dos dados oficiais sobre os tributos cobrados no Brasil.  http://www.ibpt.com.br

No site há uma “calculadora do imposto” que utilizei com os alunos cujos rendimentos estão fora da tabela de tributação da Receita Federal. A calculadora mostrou quanto eles pagam via impostos. Ela é, basicamente, um programa on line. Nos campos “em branco” são lançados os valores referidos a Rendimentos; Supermercado; Luz, Telefone, Água e Gás; Vestuário; Transporte; Saúde; Educação; Outros.

Preenchidos os campos, obtém-se um resultado, que é uma estimativa baseada na média das alíquotas dos principais tributos incidentes sobre renda, consumo e patrimônio. Muito instrutivo. Para os alunos, a média incidente ficou entre 30% e 35% do salário que cada um recebe. A revolta foi geral.

A metodologia adotada na Calculadora do Imposto foi desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Como acessar para calcular

http://www.ibpt.com.br/olhoImposto/

Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
Entidade criada em 11/12/92, cujo objetivo é a difusão de sistemas de economia legal de impostos; divulgação científica do tema; estudo de informações técnicas para a apuração e comparação da carga tributária individual e dos diversos setores da economia; e análise dos dados oficiais sobre os tributos cobrados no Brasil.

Fixamos a noção fundamental de que a cidadania está em relação direta com a condição de indivíduos contribuintes. Se vou a um posto de saúde, tenho o
direito de receber atendimento, pois eu pago regiamente ao governo para isso. Mostrei que nessa situação exemplar quem é “empregado” vira “patrão”. Isto é, os
contribuintes são os pagadores dos salários dos funcionários do Estado.

Por que eu não vi isso exposto didaticamente pelo candidato Serra durante a campanha? Isso, tenho certeza, provocaria positivante os eleitores. Isso mostraria de modo claro a perversidade desse modelo de “Brasil que está dando certo”.

Paulo Araújo em 05/11/10 às 12:08

Desculpem o horrível “maus-feitos”. O correto é “malfeitos”.

Página 1 de 1

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

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