Dito pelo não dito
O ministro do Desenvolvimento Social reclamou da cobertura da imprensa sobre fraudes na bolsa-família.
Sem dar nome aos bois, insinuou a mesma ameaça que os petistas berram por aí: se os pobres não votarem neles, a bolsa-família acaba.
Para o ministro, as notícias sobre a auditoria refletem uma “animosidade” com o programa e avaliou que “o retrocesso é possível” porque existe [sic] ainda no Brasil forças políticas e econômicas minoritárias, mas poderosas, que são contrárias às políticas sociais.
Disse que a expressão “porta de saída” é ruim e que quer garantir em lei a continuidade do programa.
Reagir contra quem aponta irregularidades mais do que contra as próprias irregularidades parece que faz parte do manual de procedimento padrão do governo Lula.
A chantagem eleitoral em cima dos beneficiários da bolsa-família também fez parte do manual de campanha do PT em 2006 e 2008 e com certeza fará em 2010. O incômodo agora é que a oposição está reagindo a tempo e começou a denunciar a manobra.
Se o ministro não gosta da expressão “porta de saída”, deveria avisar ao presidente Lula e à sua colega Dilma. Além de mandar um memorando para si mesmo.
Quanto à preocupação de garantir na lei a continuidade da bolsa-família, é esquisita. O programa tem previsão legal desde a bolsa-escola de FHC.
Aliás, foi Sebastião Madeira, do PSDB, hoje prefeito de Imperatriz do Maranhão, o relator do projeto de lei que garantiu a continuidade da bolsa-escola no governo Lula, depois rebatizada de bolsa-família.





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