Efeito demonstração do Wikileaks
Outra dica de Augusto de Franco: apresentando no Citilab a edição catalã do seu livro Communication Power, Manuel Castells saca um possível desdobramento do cablegate:
Há milhares de pessoas no mundo que têm informação confidencial grave que lhes queima a consciência. Porque há gente boa no mundo. Há soldados americanos bons, há oficiais de inteligência britânicos bons. Há pessoas a quem queima, na sua vida e na sua consciência, o que estão vendo e o que sabem. Queima-lhes massacrar civis, queima-lhes torturar, queima-lhes fazer barbaridades em nome dos ideias em que ainda acreditam. Essas pessoas hoje têm com o Wikileaks, e muitas outras coisas, a capacidade de revelar ao mundo, arriscando-se muito, o que está acontecendo nos corredores do poder.
Isso é novo. Antes, convencer The New York Times a “likar” um Wikileaks era muito complicado ou impossível. De fato, The New York Times se caracteriza mais por haver publicado as informações de Judith Miller, passadas pelo Pentágono, dizendo que haviam encontrado armas de destruição em massa no Iraque. Ou a CNN, que contratava como analistas militares das guerras coronéis e generais aposentados que estavam a soldo do Pentágono de forma indireta, por meio de contratos de defesa com suas empresas, a troco de que dessem versões favoráveis. Esses eram os leaks dos meios de comunicação “normais”. Então, no mínimo o panorama fica mais complexo. No mínimo todo mundo vaza todo mundo. E no mínimo há uma ampliação do espaço público de debate sobre o qual se pode construir uma cidadania ativa. Por isso é tão central a relação entre poder e comunicação no novo entorno digital.
Apesar da chiadeira de Lula e Franklin Martins, as redes de televisão brasileiras não são diferentes das americanas na filtragem oficialista da informação.
E os nossos blogueiros “progressistas”, mas com patrocínio do governo federal, onde ficam? Mais para Wikileaks? A mim eles lembram os “analistas” a soldo do Pentágono.





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