Especialistas aprovam batalhões menores
Rogério Daflon e Ruben Berta
RIO - Especialistas em segurança pública estão vendo com bons olhos a iniciativa anunciada pelo secretário José Mariano Beltrame de diminuir as áreas dos batalhões e do Quartel-General da Polícia Militar. A ideia é transformar os espaços em estruturas mais verticais, à semelhança do que já ocorre, por exemplo, em Los Angeles e Nova York, nos Estados Unidos. Na quarta-feira, Beltrame se reuniu com o secretário da Casa Civil, Régis Fitchner, para discutir a medida, já projetando a mudança, como a construção de um prédio no QG da corporação.
- O conceito moderno de polícia demanda uma estrutura de imóvel pequena. Em São Paulo, há casos de batalhões que funcionam em casas de 300 metros quadrados. Não vale a pena manter uma grande estrutura, com refeitório, alojamento, se o policial recebe um vale-refeição e não precisa dormir no local de trabalho - comentou o coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública.
Prédios parecidos com os de empresas
Beltrame ressaltou a importância de a polícia estar mais presente no patrulhamento e não concentrada nos quartéis.
- Temos que avançar, trazendo a polícia para o século XXI. Os batalhões nestas cidades americanas são prédios modernos, bem parecidos com os de grandes empresas. A polícia não tem que estar aquartelada, mas sim estar na rua. Quartéis com piscinas e quadras de futebol não são mais necessários - disse o secretário. - Vamos mudar a arquitetura dos batalhões. Eles terão mais tecnologia e serão mais ecológicos.
A PM informou que o QG não é tombado, apenas uma igreja, que será mantida. O projeto prevê que o novo prédio ocupe somente metade do terreno na Rua Evaristo da Veiga. A outra parte seria repassada para a iniciativa privada e traria mais recursos para o estado. Ao jornal “Valor Econômico”, o secretário de Segurança informou anteontem que a Petrobras estaria interessada no negócio.
O sociólogo Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos de Violência Urbana da UFRJ, elogia a medida:
- O que o secretário quer fazer é a efetivação da polícia militar como polícia. A estrutura da PM é militar, da época em que a Guarda Civil era a responsável pelo patrulhamento. Isso mudou, mas a estrutura se manteve. Em todos os estados, é uma transformação que vem se dando há algum tempo. Embora seja uma medida para economizar recursos, ela vai além: é o reconhecimento da mudança de caráter da PM.
Na capital, na Região Metropolitana e no estado, há 40 batalhões. O primeiros deles a receber a mudança desejada por Beltrame seria o 6 BPM, na Tijuca, cuja obra de redução de área e de construção de um prédio sairia em torno de R$ 22 milhões, num orçamento já feito pela Empresa estadual de Obras Públicas (Emop). A iniciativa já foi batizada de Batalhão-Padrão.
O batalhão instalado na Praça Tiradentes, segundo Beltrame, é outro que pode ter a área reduzida. O quartel de Botafogo é outro na lista dos que podem ter uma área menor a médio prazo.





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