Faça do seu celular uma arma - ou a vítima pode ser você

O Egito continua sem Internet. Há uma hora o último provedor saiu do ar. O governo literalmente puxou o fio da tomada: desligou os cabos de fibra ótica que ligam o Egito ao mundo.
Está claro que o estado policial lá, a esta altura, vê a Internet mais como uma ameaça do que como uma ferramenta de poder. Depois que a poeira baixar talvez se tenha uma ideia mais clara da importância do celular e das redes sociais como estopim da revolta. Mas a opinião de Osni Mubarak e sua turma tem um certo peso, não é?
Sem ôba-ôba. Uma boa matéria do The New York Times sobre o impacto da Internet como veículo de mudança dá o exemplo do Irã como o outro lado da medalha. Lá a Internet também teve um papel nos protestos de 2009. Mas hoje a polícia dos aiatolás varre a rede atras dos rastros deixados pelos dissidentes. Páginas com fotos dos protestos pedem que os internautas identifiquem e denunciem participantes. A Guarda Revolucionária criou um sistema de vigilância online e, acredita-se, mobilizou um “ciberexército” de hackers.
Regimes repressivos pelo mundo podem ter ficado atrás de seus adversários nos últimos anos em explorar novas tecnologias - nenhuma surpresa quando autocratas idosos enfrentam adversários mais jovens e ligados em tecnologia. Mas em Minsk e Moscou, Teerã e Pequim, os governos começaram a escalar a íngreme curva de aprendizado e voltar as ferramentas da Internet para seus próprios propósitos antidemocráticos”.
Egípcios, gregos e baianos, autocratas e democratas, está todo mundo tentando escalar essa curva, na verdade. Digo, todos os que entenderam que a Internet virou a arena principal das disputas políticas. Os que não entenderam, ou até entenderam mas não se mexeram, vão acordar com o gosto de poeira na boca.
A escalada é emocionante porque ninguém sabe ao certo onde a curva da história vai dar. Não necessariamente no melhor dos mundos, está se vendo. Apesar da aura libertária dos primórdios da Internet, nada indica que ela terá um impacto mais unidimensional que a imprensa e a televisão.
Não corremos para aprender a usar a nova tecnologia porque ela nos libertará. Corremos porque quem não estiver na rede estará fora do mundo - como Mubarak gostaria que os egípcios ficassem no momento. O mundo, francamente, não está grande coisa. Mas de fora ninguém quer ficar.





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