Flor do pântano
Luiz Cláudio Cunha relata no Observatório da Imprensa uma história cabeluda de corrupção e cerco à liberdade de imprensa. O pivô é um irmão do ex-governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. A vítima, além da fazenda pública, é um jornal local chamado JÁ, que fechou depois de dez anos de perseguição.
Um personagem secundário da história chama atenção porque virou presidente da República. Dilma Rousseff, quando assumiu a Secretaria de Minas e Energia do governo Alceu Collares, em 1995, herdou uma sindicância da Companhia Estadual de Energia Elétrica sobre os desmandos do irmão do ex-governador.
“Eu nunca tinha visto nada igual”, diria Dilma, eletrificada com o que leu, pouco depois de botar o dedo na tomada e pedir uma nova investigação. Ela não falou mais no assunto porque, em nome da santa governabilidade, o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para aprovar seus pleitos na Assembleia. Mesmo assim, antes de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, Dilma Rousseff teve o cuidado de encaminhar o resultado da sindicância para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE)…
Reconhecem o padrão de conduta? Os antigos diziam que a virtude está no meio. Para Dilma, a virtude, parece, está em não se comprometer com a corrupção nem com o combate à corrupção.





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