Uma novidade e uma dúvida na Datafolha
Primeiro, o que não é novidade na última pesquisa Datafolha: a liderança de Lula continua fortemente concentrada no Nordeste. É aí que se esboça o cenário de vitória dele no primeiro turno, sem Garotinho. No Sul e Sudeste a disputa vai para o segundo turno, com empate técnico entre Lula e Alckmin nas duas regiões. Outra tendência que se manteve: Lula continuou deslizando para baixo em todas as regiões exceto o Sudeste. A oscilação desde meados de março ficou dentro da margem de erro, mas é significativa em relação à rodada de fevereiro: -7 pontos no Centro-Oeste/Norte, -5 no Nordeste e no Sul. A novidade nesse quadro, claro, é o encurtamento da distância entre Alckmin e Garotinho. Novidade relativa, contudo.
De dezembro a fevereiro a vantagem de Alckmin sobre Garotinho na Datafolha ficou entre 8 e 6 pontos. Depois subiu para 11 pontos e agora caiu para 5. A própria Folha explica as variações mais fortes nas duas últimas rodadas. A subida de Alckmin em meados de março coincidiu com sua escolha como candidato do PSDB. A subida de Garotinho, com sua presença numa série de programas políticos do PMDB. Nos dois casos, a amplificação do perfil dos candidatos pela TV teve reflexo imediato na opinião pública, diz Mauro Paulino, diretor do Datafolha.
Minha dúvida fica por conta da diferença entre os resultados desta Datafolha e do Ibope de 1 a 3 de abril no estado de São Paulo.
- Ibope: dianteira de 18 pontos de Alckmin sobre Lula no primeiro turno (46% a 28%) e vitória folgada no segundo turno (55% a 31%).
- Datafolha: dianteira de 6 pontos de Alckmin sobre Lula no primeiro turno (41% a 35%) e vitória menos folgada no segundo turno (55% a 38%).
Outro dado intrigante: no Ibope de fevereiro, Alckmin e Lula apareciam empatados com 32% no primeiro turno em São Paulo. Se Alckmin disparou mesmo 22 pontos em São Paulo, segundo o Ibope de abril, como pode ter caído 5 pontos na região Sudeste, segundo o Datafolha?
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