Ativismo democrático

Eduardo Graeff, 24/04/09

Na forma, o ataque do ministro Joaquim Barbosa extravasou sentimentos que são problema dele. Na substância, dramatizou um assunto fundamental para o país: o choque entre a modernização e o conservadorismo no Judiciário.

Os conservadores reclamam do ativismo do presidente do STF. Esse pecado é na verdade a grande virtude de Gilmar Mendes.

Ele comprou a briga pela modernização da Justiça. Pisou no acelerador das mudanças possibilitadas pela Constituição de 1988 e começadas por Nelson Jobim e Ellen Gracie.

Botou o dedo nas feridas do corporativismo, do laxismo, do populismo judicial.

E ainda teve peito para brecar a escalada de arbitrariedades da Polícia Federal de Tarso Genro e da Abin de Lula.

Com a estagnação das reformas econômicas e o retrocesso das práticas políticas do governo Lula, os avanços do STF e do Conselho Nacional de Justiça presididos por Gilmar Mendes dão na vista - para incômodo de uns mas alento de outros, como eu.

Sou suspeito para elogiar. Os editoriais do Estadão e da Folha e os artigos de Merval Pereira e Rui Nogueira fazem justiça a Gilmar e ao que a atuação dele representa para a democratização do Brasil.


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