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Ipea: 3% confiam na polícia no Sudeste

O Globo, 31/03/11

Dandara Tinoco

Habitantes do Sudeste do país são os que menos confiam nas polícias militar e civil dos seus estados, segundo a pesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) de Segurança Pública, divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pela consulta, só 3% dos moradores da região dizem confiar muito nas polícias. Já os que confiam pouco ou têm nenhuma confiança somam 75,15%.

O estudo avaliou a percepção da população brasileira em relação à sensação de segurança em 2010 e levou em conta também dados de 2009, referentes às taxas de homicídio doloso, gastos com segurança e efetivo policial de cada região.

O pesquisador do Ipea Almir de Oliveira Junior, coordenador da pesquisa, diz acreditar que programas do governo como as Unidades de Polícia Pacificadora do Rio (UPP) não têm interferência direta na sensação de segurança da população:

— Os programas do governo causaram a diminuição das taxas de homicídio do Sudeste. Mas a população ainda se sente muito insegura — acha ele.

No Nordeste, muito medo de assassinatos

Segundo estudo, os nordestinos são os que mais têm medo de assassinatos no país (85,8% dizem ter “muito medo”). A pesquisa destaca que, em 2009, a região foi a que teve a segunda maior média de homicídios dolosos por 100 mil habitantes (29,3), perdendo apenas para o Norte, com 29,5. O Nordeste é também onde se dá a menor média de gastos per capita com segurança pública (R$139,60 por habitante por ano). A média nacional é de R$200,07. Já em relação ao atendimento prestado pela polícia, a região é a que mais mal avalia o serviço como péssimo (17,6%). Ainda assim, 5,8% dos moradores dos estados nordestinos dizem confiar muito na polícia, o maior percentual por região.

Os pesquisadores concluíram que nem sempre há relação direta entre os gastos, os índices de criminalidade e a sensação de segurança. “Este estudo demonstra (...), por um lado, que o maior número de investimentos e de efetivos policiais não necessariamente se traduz em baixas taxas de criminalidade, e, por outro lado, que a diminuição dessas taxas também não se reflete, de forma imediata, na sensação de segurança da população”, diz o texto.

A pesquisa revela que, apesar de apresentar nível pior de sensação de segurança do que outra regiões, o Sudeste possui o menor índice de homicídio doloso do país: 16,43 homicídios por 100 mil habitantes. A média é puxada para baixo por Minas Gerais e São Paulo, os estados mais populosos, que têm taxa de 7,1 e 11 homicídios por 100 mil habitantes, respectivamente.

Por outro lado, no Sul, a sensação de segurança é a mais alta do país, mas a taxa de homicídio doloso é próxima à média nacional, e o gasto com segurança pública ficou abaixo da média.

— A população percebe, por exemplo, que a questão da segurança não está associada só ao número de policias nas ruas. No Sudeste, se vê muitos policiais, mas a visibilidade as vezes gera até sensação de insegurança, por conta da histórica imagem negativa que a polícia tem. Já no Nordeste, a crítica é a programas de outras áreas. Lá, a violência está ligada a fatores como educação e pobreza — afirma Oliveira Junior, acrescentando que pessoas com maior escolaridade tendem a avaliar a polícia de forma mais negativa e crítica.

A pesquisa foi feita entre 17 e 31 de maio de 2010 e entrevistou 2.770 pessoas em seus domicílios. A margem de erro em nível nacional é de 1,86%, para cima ou para baixo, e de 5% para as regiões do país.

justiça e segurança · crime, polícia
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