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Longa vida à mídia capitalista

Eduardo Graeff, 12/01/11

O PT fez de uma necessidade tática - vacinar seus militantes e simpatizantes contra denúncias de corrupção - um bordão ideológico - a suposta conspiração da grande mídia contra Lula e seu partido.

Os aspirantes a jornalista e ex-jornalistas a soldo do petismo-lulismo acrescentaram a esse bordão sua cota pessoal de ressentimento: proclamam-se os guerrilheiros da internet em ascensão, gostam de pensar que apressam a decadência inexorável da grande mídia.

Presepada total! Mas há problemas reais interessantes por trás dela.

A internet leva ao extremo a fragmentação da informação e a segmentação dos públicos, que já eram marcantes nos meios de comunicação tradicionais. Das grandes religiões a pequenos grupos de fãs seja do que for, cada fatia do público tem ampla escolha de fontes e conteúdos sob medida para confirmar suas crenças. Os veículos de grande circulação/audiência são cada vez menos donos da verdade jornalística.

A internet põe em cheque o modelo de negócio dos meios de comunicação tradicionais, no qual a audiência atraída pela oferta de conteúdo gratuito ou bem barato alavanca a venda de espaço publicitário. Quem vai pagar por uma coisa e outra se pode ter ambas de graça a escolher numa infinidade de sites e listas?

O fim do oligopólio da verdade dos grandes veículos - da sua hegemonia, para usar uma palavra do agrado dos ideólogos da ciberguerrilha - parece irreversível. Não sei no que isso vai dar. Pode dar até em aprofundamento da democracia.

Já as notícias sobre a morte dos meios de comunicação comerciais parecem exageradas. Os links patrocinados do Google estão reiventando o modelo de conversão de audiência em faturamento. Os grandes produtores de informação jornalística - agências de notícias, jornais, revistas - exploram opções para equilibrar custos trocando papel e tinta por acesso online.

O iPad e similares vão, pelo jeito, impulsionar essa transformação. Richard Branson e Rupert Murdoch, que não são de jogar dinheiro fora, estão entrando forte no mercado de publicações especialmente formatadas para os tablets.

Eu ainda estou esperando esses brinquedinhos caírem de preço. Mas pela minha experiência com o Kindle da Amazon, que é um tipo de tablet dedicado, acho que vou aderir numa boa. O Kindle é ótimo para baixar e ler livros. Acredito quando me dizem que vou achar o iPad ótimo para baixar e ler jornais e revistas. Pagando, se não tiver outro jeito e o preço for módico.

A adaptação da indústria da informação ao ambiente da internet não deixa de ter um sabor de revanche ideológica. Não que eu morra de amores pela mídia capitalista. Mas acho um mal um milhão de vezes menor que o monopólio estatal da verdade. Para não falar dessa praga tão brasileira dos blogueiros chapa-branca.

comunicação · imprensa, internet
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