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Lula e seu buraco negro

Eduardo Graeff, 19/01/11

Ricardo Setti pescou este trecho da última entrevista de Lula antes de deixar a Presidência:

– Você não está preparado para fazer um livro no dia seguinte. Você está com mágoa. É preciso dar um tempo. Imagina se um marido e uma mulher no dia seguinte à separação resolvem escrever um livro? Vai ser um desastre. Você tem que deixar o ódio assentar.

Os alvos do ódio, no contexto da entrevista, seriam a oposição e a imprensa.

Como é que se explica esse sentimento num presidente que se despediu do poder no auge da popularidade?

Será que lhe fizeram tanta falta assim o aplauso da oposição e a unanimidade da imprensa?

Personalidade complicada, a de Lula. Com toda a pinta de sujeito de bem com a vida, parece que ele tem um buraco negro no peito. Uma carência insaciável da aprovação dos outros.

Talvez por isso ele faça com tanta freqüência e eloquência o discurso do ressentimento.

Se ele destilasse rancor contra as elites - os ricos e/ou estudados - só por cálculo político, não seria tão convincente. Meu palpite é que ele sente isso mesmo.

Sorte dele e nossa que ele também tem um lado acomodatício que não o deixa levar o rancor às últimas consequências.

política · lula
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Comentários anteriores (4)
Anuxa em 20/01/11 às 14:23

Nem Freud para explicar esse Abelardo Chacrinha Barbosa travestido de Presidente da República que governou(?) o Brasil por oito anos….
Ele sim, será a herança maldita no hall dos nossos Chefes de Estado.
“Vocês querem bacalhau?”
Desencarna, Lulalá.

Leda Tamega Ribeiro em 20/01/11 às 14:53

Olha, Graeff,não sou psicóloga, mas, despois de algumas reflexões sobre o comportamento de Lula em seus 8 anos de governo, cheguei à conclusão de que toda essa reação contra as “elites”, os diplomados, todo esse desprezo pelas boas obras de governos anteriores, toda essa negação dos fatos históricos e permenente atitude de autoglorificação, esconde, na verdade, um grande complexo de inferioridade, que ele não consegue superar e que é preciso refugar para sobreviver. Esse grande fantasma podia ser netralizado pelos bons resultados de alguns setores do governo, ou pela projeção que ganhou na cena internacional, ou ainda pelo imbatível nível popularidade com que encerrou o seu mandato, mas nunca anulado. Isto porque, embora dotado de elevado QI, o desnível intelectual em relação aos seus pares e opositores é um dado com o qual é confrontado a todo momento, em todas as circunstâncias. É nesse cadinho mental que se molda o Lula para uso externo e, justiça seja feita, transformado num invejável malabarista e exímio prestidigitador de seus próprios sentimentos e crenças. Temos que tirar o chapéu!

Hsilva em 23/01/11 às 01:18

Intrigante a postura de um partido que, supostamente social democrata, analisa sempre as pessoas e não o produto das ações das referidas pessoas, em um contexto social real.
Temos que reconhecer, pelo menos aqui tem espaço para manifestação da opinião.

Eduardo Graeff em 23/01/11 às 05:38

Acho que as duas coisas importam, Hsilva, as intenções e os resultados, os valores e o contexto social real. As intenções e valores dos que têm poder, então, importam muito.

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