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Mosquito na gangorra

Correio Braziliense, 10/07/09

SAÚDE

Número de casos de dengue na era Lula é 22% maior do que na FHC. Mas cai em relação a 2008

Rodrigo Couto

Apesar da redução de 49,8% dos casos de dengue nos primeiros seis meses do ano em relação ao mesmo período de 2008 — caiu de 719.593 infectados para 361.552 —, houve um aumento de 22,5% (334.818) no total de doentes durante os seis primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2008) em comparação ao mesmo intervalo de tempo na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2000). Ontem, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou novas diretrizes para unificar as ações de vigilância e assistência em saúde ao combate da enfermidade em todas as regiões.

Cauteloso à comparação do aumento de casos de dengue entre gestores diferentes, Pedro Tauil, médico sanitarista e professor da Universidade de Brasília (UnB), fez um resumo s obre a evolução da doença no Brasil. “Não é bom comparar governo com governo. Após 60 anos sem a doença, foi na década de 1960 que a enfermidade retornou ao país. Depois disso, ocorreram grandes epidemias em 1980, 1990 e 2002. À exceção do Chile e do Canadá, todos os países da América estão infestados pelo Aedes aegypti. Mesmo com todas as ações do governo, é impossível combatê-lo, pois 80% da população vive em áreas urbanas e nem sempre em condições ideais. O engajamento para vencer a dengue d eve ser compartilhado entre governo e sociedade”, pondera.

Traduzindo em números, o combate à dengue consumiu R$1,08 bilhão em 2008. Quantia parecida deve ser gasta até o fim deste ano. “Se não houver contingenciamento de recursos, tudo indica que teremos em caixa algo em torno de R$1 bilhão”, afirma Temporão, que após a divulgação da queda de casos da dengue e das novas medidas de prevenção e combate, se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para cobrar a v otação da Emenda Constitucional 29, texto que define parâmetros sobre gastos em saúde e deve adicionar à rede pública pelo menos R$15 bilhões por ano.

Novas diretrizes
Baseado em experiências que deram certo, o documento lançado pelo Ministério é composto de ações de assistência ao paciente, organização de serviços de saúde, vigilância epidemiológica, gestão e financiamento e controle dos criadouros do mosquito da dengue, o Aedes aegypti. A grande novidade é a notificação o nline. “Assim como a rubéola e a gripe A (H1N1), a dengue também contará com monitoramento pela internet”, ressaltou Temporão.

Assim como em outras 19 unidades da federação, o Distrito Federal registrou queda de 60,1% nos casos notificados de dengue de janeiro a junho deste ano, em comparação ao mesmo período de 2008. Passou de 2.927 pessoas infectadas para 1.168. Com 54 doentes, Taguatinga liderou o número de casos da doença no DF no ano passado, seguido pelas regiões administrativas do Guará (45) e Sobradinho (41). Este ano, o topo do ranking é encabeçado por Planaltina (83). A lista segue co m Taguatinga (19), Brazlândia, Estrutural e Guará, cada uma com 18 doentes, São Sebastião (17), Sobradinho (15) e Ceilândia (12). Diretora da Vigilância Epidemiológica do DF, Diva Castelo Branco atribui a queda a intensificação do monitoramento da vigilância ambiental na identificação de possíveis focos. “Além disso, houve uma maior conscientização da população sobre a importância de combater o mosquito. A grande dificuldade de eliminar a dengue é que as larvas do Aedes aegypti se concentram en tre 80% a 90% nos domicílios.”

Morador do Setor de Chácaras Santa Luzia, área vizinha da Estrutural, periferia de Brasília, o servidor público Adoaldo Alencar, 45 anos, percebeu os primeiros sintomas da doença em 13 de junho passado. “Depois do almoço, comecei a passar mal e tive vontade de vomitar. À tarde, já estava com tremedeira e frio. Fiquei duas semanas de cama”, relata. Voluntário da Prefeitura Regional Comunitária da Estrutural, Alencar é responsável justamente por divulgar in formações sobre a enfermidade. “Foi destino mesmo, pois, apesar de ter uma mata e água que jorra de uma cisterna dentro da minha casa, sempre coloco remédio para matar as larvas do mosquito.” (RC)


A dificuldade de eliminar a dengue é que as larvas se concentram entre 80% a 90% nos domicílios
Diva Castelo Branco, Diretora da Vigilância Epidemiológica do DF

saúde ·
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