Mudanças de carreira
Willian Safire, quando se despediu da sua coluna política no The New York Times, aos 75 anos, repetiu o conselho que ouviu de um cientista: “Nunca se aposente. Seu cérebro precisa de exercício, ou atrofia.”
Não é por isso que as pessoas vão se aposentar cada vez mais tarde, mas por causa da demografia: o mundo tem cada vez mais idosos e proporcionalmente menos jovens para sustenta-los.
Uma matéria do The Christian Science Monitor traduzida pelo Estadão traz um dado impressionante. A China, onde o envelhecimento da população será muito rápido, por causa do êxito da política de um filho só por casal, já está às voltas com o “problema 4-2-1”: um trabalhador jovem tendo que sustentar os dois pais e quatro avós. A previdência estatal lá é incipiente - por isso os chineses poupam mais que todo mundo. Mas a previdência só faz mediar a relação entre trabalhadores e aposentados, contribuintes e beneficiários. Não muda o fato demográfico básico.
Por isso cada vez mais gente, querendo ou não, vai continuar a trabalhar depois dos sessenta, dos setenta… Cada vez mais gente vai continuar a trabalhar mesmo depois de aposentada.
A opção de continuar ou não a trabalhar é para poucos. Mas talvez muitos - até por necessidade - venham a seguir outro conselho de Safire: “planeje mudar sua carreira para manter suas sinapses funcionando”. Disse e fez. Deixou de ser o arauto da direita nas páginas do The New York Times para assumir a presidência de um centro de estudos do cérebro, onde trabalhou até morrer aos 79 anos.
Tendo chance, vou seguir os dois conselhos. Aposentadoria nunca foi mesmo uma opção. Mudar de carreira, sim, agora. Não uma mudança tão espetacular quanto a de Safire. No meu caso a mudança possível é quase uma volta ao começo como pesquisador e redator free-lancer. Pode ser estimulante e em todo caso me deixa mais tempo para investir na carreira de avô - esta, sim, sensacional.





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