Na contramão da sustentabilidade
José Eli da Veiga e Sérgio Besserman pensam grande as causas e saídas da crise global nesta entrevista a Míriam Leitão. As saídas, dizem, dependem da recuperação da confiança para que os agentes econômicos soltem o freio de mão da demanda; de um realinhamento duradouro das principais moedas; e de um horizonte de sustentabilidade para a retomada dos investimentos.
O horizonte para novos investimentos, por sua vez, vai exigir novas regras e um novo paradigma tecnológico que enfrentem o problema do aquecimento global. Assim como fica difícil fechar negócios com as taxas de câmbio do dólar, do euro e do iuan sambando, não dá para planejar grandes investimentos sem saber quanto custarão amanhã o barril de petróleo e a tonelada de carbono despejada na atmosfera.
As saídas da crise passam, então, pela transição de uma economia baseada em alta emissão de carbono para uma de baixa. Desse ponto de vista, advertem os dois, o Brasil está andando para trás. Trocando usinas hidroelétricas por termoelétricas, retomando projetos de estradas que vão acelerar a queima da Amazônia. E cortando investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, quando o domínio de novas tecnologias é chave para avançar para a economia “descarbonada”.
Pensando melhor, então, talvez um PAC empacado seja menos mau do que desempacado mas com muitos projetos na contramão do desenvolvimento sustentável.





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