Sobre                        Contato                        Arquivo

Número de assassinatos cai 13% em SP

Folha de S. Paulo, 28/10/10

Índice mostra queda entre julho e setembro; é o segundo trimestre consecutivo com redução de homicídios

Dados sobre outros crimes não foram divulgados; governo não comenta a queda de mortes violentas

DE SÃO PAULO

Os homicídios dolosos (intencionais) caíram 13% no Estado de São Paulo entre julho e setembro, de acordo com dados divulgados pelo governo.

Passaram de 1.078 registros no ano passado, em período equivalente, para 937 no terceiro trimestre de 2010.

Os números, que ainda não foram divulgados oficialmente -só serão conhecidos no próximo sábado- mostram que este será o segundo trimestre consecutivo de redução de mortes violentas no Estado.

Essa será também a melhor marca para o trimestre desde 1995, ano em que o governo passou a colocar à disposição os dados de violência no Estado, por força da lei 9.155/95.

Para o governo, essa redução é fruto da “retirada de armas ilegais das ruas, do encarceramento de criminosos, da melhoria na gestão policial e dos contínuos investimentos” na segurança.

Para o especialista em segurança Luís Sapori, professor da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e coordenador do Instituto Minas Pela Paz, o governo tem razão em parte dessas explicações para esse sucesso -exemplo que deve ser seguido.

A fórmula, para ele, é o bom trabalho da polícia no combate aos crimes de homicídio (investigação principalmente) e o rigor na campanha do desarmamento.

O que não há na versão estatal, de acordo com ele, é que essas medidas provocaram uma mudança de comportamento dos traficantes.

Para manter o comércio de drogas em alta, os traficantes passaram a cobrar menos violência dos próprios criminosos.

“Se o crime não fosse tão organizado, o Estado de São Paulo não conseguiria reduzir assim tão rápido [o índice]”, disse o especialista.

OUTROS CRIMES

A evolução dos outros tipos de crime no Estado não foi divulgada pelo governo de São Paulo.

Essa divulgação também está prevista para ocorrer no próximo sábado.

No último trimestre, apesar da queda dos homicídios e outros crimes como roubo e furto, houve aumento nos casos de lesão corporal culposa, lesão corporal culposa por acidentes de trânsito, tráfico e estupro.

O governo não indicou ninguém para falar sobre os dados.


Estado ainda vive epidemia de homicídios

DE SÃO PAULO

O governo de São Paulo comemora o fim da epidemia de homicídios no Estado, mas não é bem assim.

O governo divulgou ontem que a taxa do trimestre foi de 8,86 crimes por 100 mil habitantes. A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera epidemia um índice superior a dez homicídios por grupo de 100 mil habitantes por ano.

Como 2010 ainda não terminou, o correto é calcular a taxa considerando os últimos 12 meses, de forma a eliminar distorções sazonais -no fim do ano há mais crimes que no meio do ano, por exemplo.

Para chegar ao índice de 8,86, o governo projetou todos os trimestres do ano com os 937 crimes do terceiro trimestre, o que não ocorrerá, porque o terceiro trimestre é tradicionalmente o menos violento -a criminalidade cai no inverno.

Fazendo o cálculo correto, com a soma dos assassinatos nos últimos 12 meses, chega-se à conclusão que São Paulo tem índice de 10,36 homicídios por 100 mil habitantes e permanece em epidemia.

(EVANDRO SPINELLI E ROGÉRIO PAGNAN)

justiça e segurança · crime, homicídio
Enviar   Imprimir   Fonte

Corrupção de Sarney a Lula

image O ebook Corrupção de Sarney a Lula pode ser baixado gratuitamente em três formatos: PDF (para imprimir), EPUB (para iPad) e MOBI (para Kindle). Uma versão em inglês (capa acima) está a venda na Amazon.com.

Posts recentes


Olho no México

O Brasil não precisa deixar a captura do estado ir tão longe. O caso Cachoeira poderia ser o sinal de alarme para um pacto contra a corrupção política e o crime organizado.

Deixem o governador falar

O PSDB precisa resolver: ou defende claramente o governador Marconi Perillo, ou admite claramente que não tem condições de defende-lo.

Bem na foto

Não tem como negar: a atual presidente e os ex, todos eles, estão bem na foto da instalação da Comissão da Verdade.

Problemas na “Lei Dieckmann”

Os deputados não devem, na pressa, perder a oportunidade de ouvir mais quem entende do assunto e corrigir as falhas do projeto.

FHC e Jefferson

Sobre a concessão do Prêmio Kluge a FHC: "Não só é a primeira pessoa com uma carreira política pessoal relevante a ganhar este prêmio, como é também um representante acabado do que chamamos cientista social. Se quiser fazer uma comparação americana, ele é como Jefferson".

Salvo pelo BNDES

Opinão d'O Globo: "É necessário averiguar os vestígios de interferência política na compra da Delta pelo JBS".

Não dá para não ler

As suspeitas sobre os dois governadores são parecidas: ligações impróprias com Carlos Cachoeira. O tratamento editorial da Folha varia. Um governador, de Goiás, é "tucano". O outro, petista, é "do DF".

Para não dizer que eu não falei da Globo

A Virada Cultural paulistana foi um desastre e o Viradão Carioca um sucesso, segundo O Globo. Não sei se vou para o Rio na próxima virada ou assino outro jornal.

Quem merece essa jurisprudência?

Como a nota não cita fonte, nunca se sabe... Espero que não seja verdadeira. Se o PSDB se deixar enquadrar desse jeito, já era.

Mais inteligentes, menos violentos

Posso acreditar que a razão venha nos salvar das formas endêmicas de violência. Se não é verdade, é bem sacado. Os homicídios estão mesmo em queda em São Paulo e até no Rio de Janeiro. Podem muito bem continuar a diminuir no planeta.

Mais herança maldita

Governadores e prefeitos fariam melhor de não esperar sentados pela próxima onda de greves dos funcionários em geral e ameaças de motim da polícia.

Brecha na proibição do aborto

Para quem acredita em alma, o feto que não tem cérebro deve ser protegido mesmo assim porque tem alma.

A língua do PT

"Hegemonia", na língua do PT, é isso: a pretensão de reescrever numa penada o dicionário e a história do Brasil.

Até 2020

Tomando nota: três tendências ou fatos que devem ter forte impacto sobre o equilíbrio do mundo até 2020.
Mais posts