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O calendário condena Palocci

Eduardo Graeff, 05/06/11

Quando foi que Antonio Palocci assumiu a coordenação da campanha de Dilma Rousseff?

Folha de 22/01/2010:

Palocci desiste de SP e deve ir para a coordenação de Dilma

Mencionado durante meses como opção de consenso no PT de São Paulo, Antonio Palocci está fora da lista de pré-candidatos do partido ao Palácio dos Bandeirantes e deverá coordenar a campanha de Dilma Rousseff ao Planalto.

Não obstante o sinal verde recebido do STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto passado, quando o tribunal arquivou o caso da violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa, o ex-ministro da Fazenda tem procurado amigos para manifestar a intenção de aceitar o convite feito pelo presidente Lula nos últimos dias de 2009 e repetido pela própria pré-candidata no início de janeiro.

Folha de 15/03/2010:

Palocci abre as portas do empresariado para Dilma

Desde que foi convocado por Lula, Palocci toca jornada dupla de deputado e membro do comando de campanha. Na divisão de tarefas, costuma dizer que não irá “mexer com grana”. Não significa, porém, que não terá importância nesse setor. Em conversas reservadas, diz que tem muito empresário que o procura e pergunta “como doar, para quem doar”. Sua resposta é que haverá um tesoureiro exclusivo da campanha para tratar do assunto.

Em resumo: Palocci assumiu publicamente a função de coordenador da campanha de Dilma em janeiro de 2010 e exercia a função “desde que foi convocado por Lula” no fim de 2009.

Diante disso, tenho três dúvidas:

Nunca passou pela cabeça de Palocci o risco de qualquer conflito de interesses em sua jornada, não dupla, mas tripla, de deputado, coordenador de campanha presidencial e consultor de empresas?

Nunca lhe pareceu prudente pelo menos discutir essa questão com Lula e Dilma? Ou Lula e Dilma sabiam e acharam que tudo bem?

Em sua tripla jornada, quanto tempo ele dedicou para preparar e apresentar a seus vinte e poucos clientes conselhos no valor de R$ 20 milhões?

Que ironia ele avisar aos amigos empresários que não iria “mexer com grana” - como coordenador da campanha, claro.

Uma certeza: se como coordenador de campanha Palocci abriu as portas do empresariado para Dilma, a recíproca é verdadeira. A coordenação da campanha abriu as portas - ou as burras - do empresariado para o consultor. O ministro e a presidente estão quites.

política · antonio palocci, corrupção, dilma rousseff, lula
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