O caminho que leva ao crime
‘O jovem não pode se sentir ninguém’
Especialistas defendem atuação maior do Estado
O secretário nacional de Segurança Pública (Senasp), Ricardo Balestreri, afirma que é necessário educar o jovem para um mundo com alternativas. De acordo com ele, a necessidade de afirmação do jovem passa pelo grande apelo de consumo dos dias atuais.
— O jovem não pode se sentir um ninguém.
Essa coisa de carregar a arma confere uma sensação de poder. Ele se torna o ator central. Isso nos remete à conclusão de que vivemos numa sociedade sem valores.
Temos que promover esses valores pela educação, que não passa necessariamente pela escolarização.
Diretor do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente de São Gonçalo, instituição do governo do estado que cuida de 19 jovens em conflito com a lei, Christian Ferrão defende projetos que mostrem alternativas aos jovens: — A gente tem desconstruir esses motivos apontados pela pesquisa para mostrar que existe outra maneira de viver. Além de dar emprego, tem que educar, treinar, capacitar.
Também em São Gonçalo, a assistente social Erica Mara coordena o projeto Oficina Crescendo com Cidadania, da ONG Incubadora de Empreendimentos para Egressos (IEE). São 30 jovens em conflito com a lei, que estão cumprindo medidas socioeducativas, que recebem oficinas de capacitação, inclusive aprendendo noções de marketing pessoal. Quando termina a parte teórica, os jovens são encaminhados para estágios, facilitando o ingresso no mercado formal de trabalho: — Jovens que vivem em comunidade têm visão pequena do que a sociedade pode oferecer. Podendo ter uma orientação e mostrando que não é só este mundo, eles podem galgar outras coisas. Hoje eles não estão mais limitados à comunidade, e sim à toda sociedade. Apesar de ter pouca idade, os jovens são chefes de família, daí a importância de apoiar a nova família para que os erros não se repitam.





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