Onde há fumaça há câncer
Demétrio Magnoli acha que a lei anti-fumo de São Paulo cheira a totalitarismo. A pretexto de proteger os pulmões, o governador José Serra quereria na verdade salvar almas, abusando do poder coercitivo do estado. Ou seria esse o espírito da lei, em todo caso.
Luis Antônio Santini vê avanços na legislação brasileira e pede mais. Propõe que imitemos um dispositivo da lei recém assinada por Barack Obama que proibe a fabricação de cigarros com sabores, usados como isca para adolescentes e crianças.
Eu concordo com Magnoli que o estado não deve cuidar da salvação das almas. Se der educação e alguma diversão já está de bom tamanho. Não salva mas alivia.
Mas concordo com Santini que o estado deve defender os não-fumantes - ainda mais menores de idade - dos fabricantes de cigarro. E dos fumantes, por que não?
Se pudesse salvar os pulmões de alguém, salvaria os da minha mulher e da minha filha caçula. Não posso. Paciência. Fico agradecido porque elas tratam os meus pulmões melhor que os delas. Não fumam perto de mim nem poluem a casa. Vão para a janela ou varanda dissipar a fumaça.
Gosto da lei de Serra porque ela me garante a mesma proteção em outros ambientes fechados. Não acho que isso seja totalitário.





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Desconfio que Demétrio Magnoli fuma. E parece ser daqueles fumantes inveterados que odeiam tudo o que é restrição à sua liberdade de jogar fumaça na cara dos outros.