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Oposição já

Eduardo Graeff, 01/11/10

Se Dilma Rousseff for a continuação de Lula, como promete, a oposição não precisa esperar para saber ao que se opor no governo dela.

Lula emporcalhou a política e solapou a economia nacional.

Usou e abusou da mentira como arma política, desmoralizou o Congresso, antagonizou a Justiça e a imprensa livre, atropelou direitos fundamentais para perseguir adversários e abastardou seu próprio partido.

Não promoveu uma reforma sequer digna de nota. Desperdiçou seu capital político num festival insano de auto-glorificação.

Sob falsos pretextos “estratégicos”, engordou a máquina federal e atrelou-a a um esquema de poder com a marca do retrocesso, que cria dificuldades no atacado - câmbio hiper-apreciado, juros astronômicos, carga tributária sufocante - e vende facilidades no varejo - empréstimos subsidiados do BNDES, injeções de capital dos fundos de pensão, encomendas das empresas estatais e outros favores especiais.

Surfou na exuberância do capital financeiro internacional e da demanda chinesa de matérias-primas, sem apontar um rumo próprio para o Brasil nesse conturbado mundo novo.

Para fazer a sucessora escolhida, aplicou no país inteiro um porre de consumo cuja ressaca começa a cobrar seu preço a partir de agora.

À presidente eleita cabe a missão de manter à tona, em condições bem menos favoráveis, o pretenso “Brasil que dá certo” de seu mentor.

Boa sorte para ela. Mas, por favor, sem refresco da oposição. Quem pariu Dilma que a embale.

política · oposição, sucessão presidencial
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Comentários anteriores (8)
Paulo Araújo em 01/11/10 às 08:10

Caro

Quando estimei os 10 milhões ainda faltavam muitos votos na apuração do NE. Corrigi. Mas confira esse fiz as contas certas.

Lula: 58.295.042 (60,83)
Alckmin: 37.543.178 (39,17)
Diferença: 20.751.864 (21,65%/total votos válidos)

Eleitorado: 125.913.479
Eleitorado apurado: 125.912.935 (100,00%)
Abstenção: 23.914.714 (18,99%)

Votos: 101.998.221
Votos válidos: 95.838.220 (93,96%)
Votos brancos: 1.351.448 (1,32%)
Votos nulos: 4.808.553 (4,71%)

Dilma: 55.752.092 (56,05%)
Serra: 43.710.422 (43,95%)
Diferença: 12.041.670 (12,11%/ total votos válidos)

Seções: 400.001
Seções Apuradas: 399.979 (99,99%)
   
Eleitorado: 135.804.433
Apurado: 135.799.043 (99,99%)
Abstenção: 29.194.356 (21,50%)
Comparecimento: 106.604.687 (78,50%)
       
Votos: 106.604.687
Brancos: 2.452.591 (2,30%)
Nulos: 4.689.310 (4,40%)
Válidos: 99.462.514 (93,30%)

http://divulgacao.tse.gov.br/

A diferença de votos entre Lula e Alckmin relativamente aos votos válidos em 2006 foi 20.751.864 (21,65%/total votos válidos)

A diferença de votos entre Dilma e Serra relativamente aos votos válidos em 2010 foi 12.041.670 (12,11%/ total votos válidos)

Em números absolutos, a diferença favorável ao PT de 2006 caiu em 8.710.194 de votos em 2010.

Evidências da desagregação política do petismo. Ou, não por acaso Dilma fez o discurso da concialiação em direção à oposição. A resposta de Serra foi na medida certa.

A máquina partidária petista está, a meu ver, em processo de desagregação e, portanto, refém (a disputa pelo butim) das alianças que constituiu. 

As fraturas mesmo no campo majoritário ficaram evidentes no episódio em que se envolveram Rui Falcão e Fernando Pimentel. Junte-se a isso o caso Erenice. Em MG, o PSDB liquidou nestas eleições o também fraturado petismo mineiro. E não vamos desconsiderar que no segundo turno em MG Serra recebeu mais ou menos um milhão de votos a mais do que no segundo turno. Ponto para os mineiros da oposição. 

O PT reuniu na sua fundação grupos ideológicos laicos e religiosos com visões políticas estratégicas díspares e, no limite, antagônicas. O PT é uma frente que abriga facções políticas autônomas, não nos esqueçamos. Principalmente, a criatura Dilma nunca será o chefe da turma. O PSB, que não é o PT, consolidou uma hegemonia política bem ameaçadora do que Marina pretendia ser.

É ilusório, por exemplo, acreditar que os setores cristãos de dentro e de fora do partido farão genuflexão ao “centralismo democrático” imposto pela executiva nacional. Amarga ilusão. O deputado contrário ao aborto punido pela executiva saiu do partido. Marina saiu do Partido. Até Frei Betto, apesar de estar no partido, anda meio afastado dele. Tudo indica que há uma debandada ou um grande incômodo dos setores cristãos do PT. Antes, os trotskistas saíram do partido. Isto é, o que se observa no PT é o movimento de dispersão da frente política-partidária em ato. O PT tende a se tornar cada vez mais o partido do “campo majoritário”, e mesmo nesse campo o pau come solto.

Para além das capas de revistas e das colunas que anunciavam o armagedon da direita reacionária, estão as evidências de um racha entre setores que disputam hegemonia política no PT. A quebra não foi provocada por fatores exógenos, mas sim endógenos ao PT.

Eu espero que os partidos de oposição compreendam e respeitem o recado enviado pelos seus quase 44 milhões de eleitores. 

Abs.

Francisco Armando Nascimento em 01/11/10 às 09:01

Eu, como um simples mortal, aprendi a adimirar e respeitar as idéias do PSDB, através do ex presidente FHC, e também senti durante estas eleições que houve de fato a falta de união do partido para derrotar esse governo.
Temo o pós eleição, pois é agora que iremos sentir o couro nas costas. A maquilagem da gestão econômica do governo do PT, irá se desfazer e mostrar de fato o tamanho do buraco que o país se encontra. Esperaremos ansiosos por mais um plano maquiavélico.

Eduardo F Netto em 01/11/10 às 11:05

Cada Povo tem o Presidente que merece. Ou em terra de cego quem tem um Olho e Rei.
Agradeço a todos a Mobilização que fizemos para garantir um futuro melhor.
Ganhamos em 11 estados, Eles ganharam praticamente no Norte Nordeste, com o voto de cabresto, com o Bolsa Família ( Compra Família) fizeram campanha durante 4 anos, anunciam em todos Jornais, revistas, Rádios de todo o Brasil. Pregando um Brasil que não existe:
Agora cabe a nos, começarmos a nossa pregação a partir de hoje.
E que Deus tenha pena da gente.

Renate Ristow em 01/11/10 às 12:13

Ok, a Dilma, ou melhor, o Lula venceu.
Dilma foi eleita porque teve mais votos que o Serra.
Mas,quem votou no Serra votou porque confia nele, confia no PSDB; pergunto:o que o PSDB vai dar como retorno a esta confiança depositada no partido? Uma oposição pífia? Serão mais quatro anos, praticamente, assitindo de camarote ao emporcalhamento da política, ao solapamento da economia?
Vamos ter que continuar vendo a mentira sendo transformada em verdades para os incautos?
Sempre acreditei no PSDB, pois sempre vi neste partido a chance de finalmente ser feito política correta no nosso país. Fez isto enquanto governo. Mas, enquanto oposição?
O PT fez de tudo que foi possível para atrapalhar o governo de FHC. Evidentemente não esperava que o PSDB fizesse o mesmo no governo de Lula, mas eu, e provavelmente milhares como eu, esperavam uma oposição um pouco mais acirrada. Afinal, escolhemos os políticos para cuidar do que é da Nação e se os políticos não cuidam, quem vai cuidar? Se o gato sai de casa o rato faz a festa, não é mesmo?
Então, que o PSDB acorde e faça aquilo que deve ser feito: ajude a governar a nação, mas não se calando, agindo como oposição. Por favor! Boa parte deste país deve estar se sentindo órfã como eu.

Fernando em 01/11/10 às 16:53

O projeto 2014 já começou!!! Por favor não cometam os mesmos erros! A comparação deveria ter sido feita, pois as privatizações do Governo FHC foram um sucesso! Jamais poderiam ter sido usadas contra o Serra! O Lula não descobriu o Brasil e ele mentiu tanto, tão descaradamente durante a campanha, sem que ninguém o desmentisse, que ele acabou acreditando nisso! Pelo amor de Deus Senhores!

Nemec em 01/11/10 às 18:01

Excelente texto, Eduardo!

Paulo Araújo em 01/11/10 às 21:01

Caro Graeff

O tempo oportuno (kayrós)

Na luta política a conquista da hegemonia exige que a máquina partidária permaneça coesa perante o adversário. A prudência aconselha disciplina e que os lutadores permaneçam unidos. Líderes como Aécio Neves e José Serra são essenciais em qualquer hipótese. 

A história mostra que no tempo e no espaço nada é irreversível. Tucanos sabem fazer política quando querem. Mas as declarações de Xico Graziano estão completamente fora do lugar e do tempo.

Foram 44 milhões de votos. Os eleitores merecem respeito.

Sebastiao Marques Amorim em 08/11/10 às 11:17

Vocês acreditam que os interesses dos políticos eleitos são os mesmos dos eleitores? Na hora de uma decisão qualquer entrarão aí n argumentos e motivações. A maioria delas são de interesse próprio. Olhando sempre o resultado positivo que irá conferir a SI ou quando muito aos seus.
A maior mentira: o Estado é o Povo.
Na verdade o Estado se alimenta de Povo.

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