Palavras que curam, palavras que ferem
Este trecho do discurso de Obama sobre o atentado no Arizona poderia se aplicar à catástrofe das chuvas no Rio de Janeiro e São Paulo:
Quando uma tragédia como essa acontece, faz parte da nossa natureza exigir explicações - para tentar impor alguma ordem no caos, e dar sentido ao que parece sem sentido. Já vimos um começo de conversação nacional, não só sobre as motivações por trás dessas mortes, mas sobre tudo, desde a pertinência das leis sobre armas de fogo até a adequação de nossos sistemas de saúde mental. Grande parte deste processo, de debater o que pode ser feito para evitar tragédias semelhantes no futuro, é um elemento essencial do nosso exercício de auto-governo.
Mas num momento em que nosso discurso se tornou tão fortemente polarizado - num momento em que estamos tão ansiosos para botar a culpa de tudo o que aflige o mundo naqueles que pensam diferentemente de nós - é importante que paremos um pouco para pensar se estamos falando uns com os outros de um jeito que cura as feridas, não de um jeito que fere.
A Escritura nos diz que existe o mal no mundo, e que coisas terríveis acontecem por razões que desafiam a compreensão humana. Nas palavras de Jó: “quando eu procurei a luz, então veio a escuridão.” Coisas ruins acontecem, e devemos evitar explicações simples no calor do momento.
Pois a verdade é que nenhum de nós pode saber exatamente o que provocou este ataque cruel. Nenhum de nós pode saber com certeza o que poderia ter evitado que os tiros fossem disparados, ou que pensamentos se escondiam no fundo da mente de um homem violento.
Então, sim, temos de examinar todos os fatos por trás desta tragédia. Não podemos e não iremos ficar passivos diante de tamanha violência. Devemos estar prontos a questionar velhas suposições a fim de diminuir as perspectivas de violência no futuro.
Mas o que não podemos fazer é usar essa tragédia como mais uma ocasião para agredir um ao outro. Ao discutirmos essas questões, vamos cada um de nós fazê-lo com uma boa dose de humildade. Ao invés de apontar culpados, vamos aproveitar esta oportunidade para expandir nossa imaginação moral, para ouvir uns aos outros com mais cuidado, para aguçar nossos instintos de empatia, e lembrar-nos de todas as maneiras pelas quais nossas esperanças e sonhos estão interligados.
Vale a pena assistir ao discurso inteiro. Obama na melhor forma num dos papéis fundamentais dos presidentes americanos, de pastor do seu povo.
FHC e Lula, tão diferentes na forma e na substância, sabiam falar com o país nas boas e más horas.
Vamos sentir falta disso com Dilma Rousseff.





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Graeff, muito bem colocado.
E pensar que teve gente no Brasil que achava que era a Internet que tinha ganho a eleição para o Obama. Quase como se o cara fosse uma “mula”, que teve a sorte de ter a internet ao seu lado.
Esse discurso, sua sensibilidade e a capacidade de dizer isso de fato acreditando em suas palavras, é uma das coisas que mais encantam no Obama. A grandeza de pensamento, o não revanchismo, e a não exploração de momentos como esse pra bater em seus adversários.
No caso do Lula, ele tem a sensibilidade, e acredita em suas emoções, que são genuínas, mas são genuínos tb o sentimento de revanche, e o aproveitamento de momentos como esse pra tirar “casquinha” em favor próprio. Muito embora, o Lula gostasse de não se envolver em desgraça alheia… hava visto acidente da TAM, outras enchentes ( Angra no ano passado) etc etc.
Já FHC, tem a dignidade de fazer o discurso, a grandeza de pensamento, a retidão do caracter, e mesmo a graça, mas tem maior dificuldade que Lula para traduzir em linguagem acessível seus pensamentos.
Quanto à Dilma ela está ótima. Pelo menos não tem falado nada. Parece que se convenceu de sua incapacidade de comunicação….
É isso, Sérgio. Dilma parece achar que fica melhor de boca fechada. Os puxa-sacos estão achando o silêncio sublime, sinal de discreção, eficiência etc. Daqui a uns meses vamos saber o que o povo acha.