Penúltimo suspiro

A propósito do 13 de maio, José de Souza Martins lembrou-me de um artigo que publicou nesta data há seis anos. Na época eu li, gostei e copiei aqui.
O artigo fala de trabalhadores como os da foto acima, enviada por Martins, que ainda hoje são encontrados em condições de escravidão no interior do Brasil. Ele termina assim:
A Lei Áurea não branqueou os negros e ao mesmo tempo enegreceu todos aqueles condenados, brancos, índios ou negros, às funções ínfimas da economia. De certo modo, hoje negros são todos os que estão privados de direitos e de respeito como pessoas.
Uma boa notícia do censo de 2010 é que mais brasileiros se identificam como negros. Não sei se isso tem a ver com a política de quotas, que eu acho complicada. Seja como for, é sinal que a discriminação recuou, inclusive no íntimo das pessoas discriminadas.
O texto famoso de Joaquim Nabuco, que eu escutei pela primeira vez na versão musical de Caetano Veloso, começa:
A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.
O fato de, quase 120 anos depois, ainda haver brasileiros que são tratados e se deixam tratar como escravos mostra como ele tinha razão.
O fato de mais brasileiros se declararem negros indica que o “suspiro indefinível” da escravidão - a nódoa cultural, mais difícil de desfazer do que a situação social que lhe deu origem - vai ficando mais e mais fraco.





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