Pré-campanha
Reinaldo Azevedo mandou ver - com razão - em cima da manchete da Folha hoje.
Os números da violência e a violência com os números
A Folha de S. Paulo anuncia hoje, em manchete, com estardalhaço: “Homicídios crescem em São Paulo após dez anos”. Segue o rigor intelectual e a isenção jornalística que costumam caracterizar o caderno chamado “Cotidiano”.
Quais são os dados? Foram 4.557 homicídios em 2009 contra 4.426 em 2008: 131 a mais. O estado de São Paulo tem 42 milhões de habitantes. Num gráfico, lá no pé da página, o jornal informa números que são públicos: em 1999, houve, em números arredondados, 12,8 mil homicídios. Em 2009, 4,5. A redução é de estupendos 65%. Trata-se de uma redução rara, se não for única, no mundo.
Os números que interessam quando se pensa uma política de segurança pública são os chamados mortos por 100 mil habitantes: eram 35,27 há 10 anos contra 10,95 no ano passado. Comprando-se 2008 com 2009, tem-se 10,76 mortos por 100 mil antes contra 10,95 agora. O aumento é de 2,8%. Qualquer especialista isento sabe que isso não caracteriza nem mesmo uma tendência.
...A Folha ignora reportagem do próprio jornal publicada em 2008. Levantamento junto a secretarias de segurança, com informações do IBGE, apontou os dez estados com maior número de homicídios por 100 mil. Comparem com os números de São Paulo.
Tem mais sobre os índices de violência em São Paulo e no Brasil como um todo nestas duas ótimas matérias:
Ranking da violência exclui São Paulo e Rio da liderança
Dizem que os números, sob tortura, confessam qualquer coisa. Haja pau-de-arara para fazer um fracasso do caso de sucesso de São Paulo no combate à violência.

