Programa de domingo
Baixei da Amazon duas coletâneas de Billie Holiday. Bom negócio: cada uma com sessenta músicas, por mais ou menos R$12,00.
Uma, “The Essential Billie Holiday”, tem gravações mais antigas, de 1934 a 1946, com ela e orquestras. A outra, “Billie Holiday, The Ultimate Colection”, tem gravações da década de 1950, com ela e feras do jazz, infelizmente não identificados.
Billie é sempre Billie, mas as pauladas da vida, álcool e heroína pesaram no canto dela. Dá para notar bem isso nas duas gravações de “You Go to My Head”. Ouça no YouTube, primeiro a mais antiga, depois a mais recente.
Não sei se é impressão minha ou o registro baixou um tom ou dois. A voz com certeza ficou mais rouca. A heroína, principalmente, deve ter afetado a voz de Billie, como a morfina fez com Orlando Silva (o eterno cantor das multidões, não o ex-ministro dos Esportes). Pelo que li, o uso prolongado dessas drogas afrouxa os músculos, inclusive as cordas vocais.
Mas o resultado final é diferente. As gravações do fim de carreira de Orlando Silva são bem piores. As de Billie, para mim, são melhores. Isso provavelmente tem a ver com o clima e os arranjos, além da voz. As gravações mais antigas de Billie puxam para o swing; as mais recentes, para o bebop, que é a fase do jazz que eu gosto mais.





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