Sem casco duro
A transmissão do cargo de ministro do Esporte, descrita aqui por Reinaldo Azevedo, confirma o que eu escrevi ontem: Dilma Rousseff não vai revogar a lei de Lula.
Ela qualificou o trabalho de Orlando Silva à frente da Pasta como “excepcional” e disse que o ex-colaborador tem todo seu respeito.
“Esta cerimônia não estava nos meus planos, nos planos do governo. Muitas vezes somos conduzidos a situações inesperadas que temos de enfrentar. E enfrentar, muitas vezes, com tristeza, mas sempre com coragem e determinação. Foi o que fizemos neste caso sem abrir mão de construir o caminho que escolhemos”, discursou Dilma.
“Ele ganha plena liberdade para restituir a verdade e preservar sua biografia. Orlando Silva não perde meu respeito. Desejo-lhe muito sucesso em sua cruzada pela verdade. Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental. O PCdoB tem sido, nos últimos nove anos, um parceiro leal e relevante do nosso projeto nacional de governo e de desenvolvimento”.
A mensagem é clara: o ministro sai, não pelo que fez, mas porque foi pego.
Se é isso que Dilma pensa, sua atitude em relação à corrupção não é diferente da de Lula, a não ser por um detalhe: ela não se sente capaz de afrontar a opinião pública como Lula cansou de fazer.
Falta de “casco duro”, como disse outro dia o padrinho? Se isso quer dizer senso de decoro, não sei. Se quer dizer blindagem da mídia e dos bem-pensantes em geral, pode ser. Dilma provavelmente sabe que a indulgência plenária que deram ao retirante-operário-presidente é pessoal e intransferível.





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