Sobre      Contato      Links      Arquivo

Show case

Eduardo Graeff, 31/01/10

Inflação é nova ameaça a Chávez

Foi de 40% em 2009, deve chegar aos 80% em 2010.

Caro por caro, há cada vez menos o que comprar nas lojas estatizadas.

A Venezuela de Hugo Chávez virou o exemplo acabado, quase caricato, da mistura de caudilhismo latino-americano e socialismo real que encanta o PT e outros basbaques.

Vamos ver se Lula banca o compañero encrencado.

Por que não? Afinal, ele banca José Dirceu, José Sarney, Dilma Rousseff…

Categoria: internacional  Tags:
Enviar          Imprimir         
Comentários (1)
Paulo Araújo em 31/01/10 às 14:16

Caro

Há um blog (link abaixo) que faz acompanhamento diário das intervenções e flutuações no mercado de câmbio venezuelano. O paralelo na última sexta-feira: compra 6,10/US$ e venda 6,30/US$. Em um país em que praticamente se importa tudo o que se consome, não é difícil imaginar o que está acontecendo. Antes da “maxi” o paralelo chegou a bater em 7,00 bolívares/US$. 

Desde a “maxi”, o Banco Central entrou ofertando ao mercado papeis negociáveis em dólares com base no câmbio “petrolero” (4,30/US$) para forçar a baixa no paralelo. Ao que parece, não está funcionando. Quem comprou em janeiro deste ano já está negociando esses papeis com vencimento a futuro (90 dias) a uma taxa de câmbio de 5,3-5,5 bolívares/US$. Como se vê, especular com dólares na Venezuela bolivariana é excelente negócio. Há uma jogada de intermediação e negociação desses papeis controlada por agentes de corretagem amigos do rei.

http://bonosvenezuela.blogspot.com/

Uma coisa é certa: não há dólares suficientes para atender a demanda das pessoas físicas e jurídicas. 

Analistas sugerem que já iniciou o movimento migratório dos pequenos poupadores para o dólar. Li que se registram compras desses papeis do BC lastreados no dólar (“subastas” ou leilões do BC) em valores de até US$ 15.000,00.

Disso, duas coisas relacionadas: perda de confiança no futuro da moeda nacional e, por consequência, mais inflação (para a população de menor renda ela foi 27,63% em 2009, maior, portanto que a inflação oficial do país de 25,1%) pela crescente oferta de “bolívares fuertes” na economia. Como vimos no passado na Argentina e no Brasil na época das “hiper”, parece que os venezuelanos estão migrando para ativos em dólar em busca de segurança. Os que não podem ou não querem seguir por esse caminho, correm ao mercado para comprar hoje o que amanhã já estará com um preço maior.

Aquilo lá está ruindo, embora Chávez ainda conte com boas reservas monetárias. O que não se sabe é até quando elas vão durar. Cháves sabe que a sua continuidade no poder está diretamente ligada ao poder de fogo do executivo federal para manter os subsídios e os demais gastos do Estado nos mesmos níveis da época do petróleo a mais de 100US$/barril.

O que preocupa é que politicamente a situação tende a piorar. A Assembleia Nacional repete a velha saída ditatorial, dando a Chávez cada vez mais poder discricionário e completando, assim, a obra de “cubanização”. Em 2010 haverá eleição para renovar a AN. Chávez já disse que não admite perder a folgada maioria que desfruta. O tempo político deve fechar mais ainda por lá.

Um bom artigo para entender o comportamento da inflação na Venezuela

Inflación acumulada en 11 años 733%

http://www.analitica.com/va/economia/opinion/2294097.asp

Este traz uma análise fundamentada em evidências empíricas sobre a hipótese da hiperinflação

BOLÍVAR ¿FUERTE?

http://capitalmarket.com.ve/noticias/216-bolivar-¿fuerte?

Alguns dados no artigo do Estadão sobre a produção petroleira estão equivocados.

Há controvérsias sobre a produção da PDVSA. Os números oficiais são de que a PDVSA supera os 3 milhões bpd, mas para a OPEP estão entre 2,5 y 2,6 milhões e para a EIA (US Energy Information Administration) não passam de 2,2 milhões. Os 3,1 milhões bpd é a produção anterior à greve de 2002 na PDVSA. Analistas concordam que a queda na produção foi mitigada pela subida dos preços até antes de 2008.

As importações americanas da Venezuela representam algo em torno de 9,6%. No passado foi a 17% das importações. De acordo com a EIA, a Venezuela ocupa hoje a quarta posição no fornecimento. Perdeu em 2009 a terceira posição para a Nigéria.

Enfim, além da queda nos preços do petróleo a PDVSA também enfrenta queda na produção. O petróleo representa mais de 90% das exportações venezuelanas.

Abs.

PS: Excelente o trabalho de investigação do blog Coturno Noturno sobre a pesquisa da Vox Populi. O que estranho a pequena repercussão. Vi que você fez post.

Página 1 de 1
Os comentários não estão disponíveis nesta matéria.
Página 1 de 1